VANESSA MORENO grava álbum com repertório de DJAVAN
Cantora transforma o show dedicado ao compositor em disco de estúdio previsto para o segundo semestre
Redação - SOM DE FITA
3/17/2026




Vanessa Moreno vai levar adiante, em formato de álbum, um projeto que já vinha ganhando corpo no palco desde 2025. A cantora decidiu registrar em estúdio o espetáculo “Vanessa Moreno visita Djavan”, montado ao lado do percussionista Felipe Roseno e do guitarrista Tarcísio Santos. O disco, segundo as informações divulgadas sobre o projeto, terá nove faixas e deve chegar ao público no início do segundo semestre. A apresentação mais recente do show aconteceu em 13 de março, na Casa Natura Musical, em São Paulo, reforçando a circulação de um repertório que agora sai do palco e entra definitivamente na discografia da artista.
A proposta não surge do nada. A própria divulgação da Casa Natura lembra que Vanessa tem ligação antiga com a obra de Djavan e que uma das primeiras canções do artista que aprendeu a tocar no violão foi “Azul”. Esse dado ajuda a entender por que o tributo não soa como movimento oportunista ou mera reverência protocolar. No caso de Vanessa, trata-se de um reencontro artístico com um repertório que acompanha sua formação musical e que, agora, ganha tratamento mais amadurecido, apoiado numa formação enxuta e bastante musical.
A seleção do álbum também indica esse cuidado. Entre as músicas já mencionadas para o disco estão “Açaí”, “Boa noite”, “Cigano”, “Esfinge”, “Lilás”, “Milagreiro” e “Oceano”, cobrindo diferentes momentos da trajetória de Djavan. Em vez de se apoiar apenas nas faixas mais óbvias, Vanessa parece mirar um recorte que combina clássicos amplamente conhecidos com composições que exigem maior refinamento interpretativo. Isso ajuda a desenhar um projeto de releitura que não depende apenas do peso do repertório, mas da forma como ele será reconstruído em estúdio.
Um show que virou disco
A transformação do espetáculo em álbum parece ser consequência natural da boa resposta que o projeto vem recebendo. Nas publicações de divulgação feitas nas últimas semanas, Vanessa já havia sinalizado que o show dedicado a Djavan ganharia versão fonográfica, e a Casa Natura apresentou a performance de março como parte importante dessa fase. A lógica faz sentido: quando um repertório amadurece na estrada, o estúdio deixa de ser ponto de partida e passa a funcionar como registro de uma experiência que já foi testada diante do público.
Nesse formato, a presença de Felipe Roseno e Tarcísio Santos não parece acessória. Os dois músicos já aparecem como parte central da identidade do projeto, tanto nas informações sobre os shows quanto na notícia do álbum. Isso sugere que o disco deve preservar a dinâmica construída ao vivo, evitando uma produção inflada demais e apostando numa sonoridade mais orgânica, centrada no diálogo entre voz, guitarra e percussão. Para um repertório como o de Djavan, cheio de sutilezas harmônicas e mudanças rítmicas, esse desenho mais econômico pode funcionar melhor do que uma leitura excessivamente grandiosa.
Também chama atenção o fato de Vanessa ter mantido o nome do espetáculo como eixo conceitual do álbum. Isso ajuda a comunicar ao público que o disco não nasce como ruptura, mas como extensão de um trabalho já em curso. Em tempos em que muitos projetos de homenagem aparecem embalados por estratégias mais apressadas, há algo de coerente em deixar a música respirar no palco antes de congelá-la em estúdio.



Vanessa Moreno em apresentação ao vivo, artista prepara álbum dedicado ao repertório de DJAVAN. Foto: Reprodução

A escolha de “Esfinge” e o peso do repertório
Entre as faixas anunciadas, “Esfinge” chama atenção de forma especial. Dentro da obra de Djavan, ela não costuma figurar automaticamente entre as canções mais populares para o grande público, mas carrega uma densidade melódica e harmônica que interessa bastante a intérpretes mais atentos aos detalhes da composição. O destaque dado à música no noticiário sobre o álbum sugere que Vanessa pretende apresentar um tributo menos previsível, disposto a lidar com zonas mais intrincadas do repertório do compositor.
Ao mesmo tempo, a presença de títulos como “Oceano”, “Lilás” e “Açaí” equilibra o recorte. São músicas muito conhecidas, que funcionam como pontos de contato mais imediatos com o ouvinte. A combinação entre canções consagradas e escolhas menos óbvias costuma ser um caminho inteligente em discos de releitura, porque evita tanto o excesso de obviedade quanto a armadilha de falar apenas para iniciados. Se a sequência final confirmar esse equilíbrio, o álbum pode dialogar com públicos diferentes sem perder unidade.
Há ainda um aspecto importante: revisitar Djavan exige controle técnico e personalidade. Não basta “cantar bonito” um cancioneiro como esse. É preciso lidar com fraseados pouco convencionais, mudanças de acento e melodias que nem sempre seguem trajetos simples. O repertório, portanto, funciona quase como teste de identidade para qualquer intérprete. Vanessa parece consciente disso ao montar um projeto centrado menos na imitação e mais na decantação dessas músicas em outro ambiente sonoro. Essa talvez seja a principal força do trabalho.
Vanessa chega ao projeto em fase sólida
O momento da carreira também ajuda a explicar a dimensão do lançamento. Vanessa Moreno já vinha consolidando seu nome na música brasileira contemporânea com discos autorais e apresentações em espaços de grande visibilidade. O line-up do The Town registra a artista como autora de trabalhos como “Em Movimento” (2017), “Sentido” (2021) e “Solar” (2023), enquanto outras fontes recentes destacam a continuidade dessa produção em 2025 e 2026. Em outras palavras, o álbum com repertório de Djavan não aparece como ponto isolado, mas como parte de uma trajetória já estruturada.
Esse contexto faz diferença porque discos de homenagem podem ter naturezas muito distintas. Alguns servem para preencher calendário; outros funcionam como etapa real de amadurecimento artístico. No caso de Vanessa, os sinais disponíveis apontam mais para a segunda hipótese. Há um show rodando, uma formação definida, um repertório escolhido com critério e uma artista que chega ao projeto depois de anos construindo linguagem própria. Agora, resta ver como essa combinação vai soar quando o álbum enfim for lançado no segundo semestre.
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