TRIBULATION volta a São Paulo em fevereiro para apresentação única
Occult rock sueco retorna ao Brasil com turnê de Sub Rosa In Æternum e show na Burning House
Redação - SOM DE FITA
1/20/2026




A banda sueca Tribulation retorna ao Brasil no dia 14 de fevereiro de 2026 para uma apresentação única em São Paulo. O show acontece na Burning House, como parte da turnê latino-americana de divulgação do álbum Sub Rosa In Æternum (2024). A abertura da casa está marcada para as 19h, com produção conjunta de Xaninho Discos, Solid Music e Caveira Velha.
Formado em 2004, o Tribulation construiu uma trajetória marcada por transformações graduais e conscientes. Ao longo de mais de duas décadas, o grupo deixou de ser associado exclusivamente ao death metal para ocupar um espaço próprio entre o heavy metal clássico, o rock gótico e o occult rock. Essa evolução não aconteceu de forma abrupta, mas como resultado de decisões artísticas tomadas disco a disco, sempre com atenção à coerência estética e à construção de atmosfera.
A nova passagem por São Paulo reforça a relação da banda com o público brasileiro, que acompanhou de perto essas mudanças ao longo dos anos. A escolha por uma apresentação única indica um show mais concentrado, alinhado ao caráter atmosférico e performático que o grupo costuma apresentar ao vivo, privilegiando narrativa e ambientação em vez de um repertório puramente baseado em impacto imediato.
Do death metal sueco à construção de uma nova identidade sonora
Nos primeiros anos de carreira, o Tribulation estava diretamente ligado ao death metal sueco, com composições agressivas, riffs densos e vocais extremos. Trabalhos como The Horror (2009) e The Formulas of Death (2013) posicionaram a banda dentro do circuito underground europeu, dialogando com uma tradição já bem estabelecida no país. Mesmo nesse período, porém, já era possível identificar uma inclinação por climas mais sombrios e uma preocupação estética que extrapolava o formato padrão do gênero.
A virada se consolidou com The Children of the Night (2015), álbum frequentemente apontado como o divisor de águas da discografia. Nesse trabalho, o grupo passou a adotar vocais mais melódicos, estruturas menos aceleradas e uma forte influência do rock gótico e do heavy metal setentista. A mudança também se refletiu na imagem da banda, com figurinos e identidade visual alinhados a uma estética ritualística e teatral, que passou a fazer parte central da proposta artística.
Esse reposicionamento ampliou o alcance do Tribulation e redefiniu sua relação com o público. A banda deixou de ser vista apenas como um nome do metal extremo para se afirmar como um projeto autoral, interessado em atmosfera, narrativa e coerência. A transformação não eliminou o peso, mas o reorganizou dentro de uma lógica mais ampla, abrindo espaço para uma identidade sonora mais singular no cenário europeu.




Reconhecimento, prêmios e consolidação internacional
O novo direcionamento artístico foi aprofundado de forma consistente em Down Below (2018), álbum que consolidou a banda em um território híbrido entre o metal, o rock gótico e influências setentistas. Nesse disco, o Tribulation passou a trabalhar com maior clareza a relação entre peso moderado, melodias sombrias e uma construção narrativa mais evidente nas composições, afastando-se da lógica de impacto imediato típica do metal extremo.
Essa abordagem teve continuidade em Where the Gloom Becomes Sound (2021), que reforçou o equilíbrio entre atmosfera e estrutura. As músicas passaram a se desenvolver de forma mais progressiva, criando climas que se constroem ao longo das faixas. Esse tipo de composição aproximou a banda de uma lógica mais próxima do rock autoral europeu, onde conceito e identidade contam tanto quanto técnica ou agressividade.
Ambos os álbuns foram reconhecidos com o Grammis, principal prêmio da indústria fonográfica sueca, na categoria rock/metal. O reconhecimento institucional simbolizou a transição definitiva do Tribulation de um projeto underground para um nome relevante dentro do mercado musical sueco. Na prática, isso contribuiu para a expansão internacional do grupo, facilitando convites para festivais, turnês mais extensas e uma circulação maior fora da Escandinávia.
Esse novo patamar também influenciou a forma como a banda passou a ser percebida pela crítica e pelo público. O Tribulation deixou de ser lido apenas pelo contraste com o passado extremo e passou a ser reconhecido como um projeto em constante transformação, com uma identidade própria bem definida e sustentada ao longo do tempo.
Sub Rosa In Æternum e o que esperar do show em São Paulo
Lançado em 2024, Sub Rosa In Æternum aprofunda a fase mais gótica da carreira do Tribulation e deixa claro que a banda não tem interesse em revisitar fórmulas antigas apenas por nostalgia. O álbum aposta em vocais majoritariamente limpos, composições mais longas e arranjos que trabalham tensão e atmosfera de forma gradual, colocando a agressividade em segundo plano.
As letras recorrem com frequência a imagens de espiritualidade, simbolismo e ocultismo, elementos que já faziam parte do vocabulário estético da banda, mas que agora aparecem de maneira mais explícita e integrada ao conjunto. Musicalmente, o disco dialoga com referências do gothic rock e do pós-punk, sem abandonar completamente o peso característico do metal, criando um equilíbrio que define bem a fase atual do grupo.
Ao vivo, esse conceito costuma se traduzir em apresentações que priorizam clima e imersão. Iluminação, figurino e performance são tratados como extensões diretas do material de estúdio, evitando a lógica de um show baseado apenas em execução técnica. Para o público paulistano, a expectativa é de um repertório que funcione como um recorte da trajetória da banda, combinando faixas do álbum mais recente com músicas de fases anteriores que dialogam melhor com a estética atual.
Serviço
Tribulation em São Paulo
Data: 14 de fevereiro de 2026
Horário: 19h (abertura da casa)
Local: Burning House
Endereço: Avenida Santa Maria, 247 – São Paulo/SP
Ingressos: 101tickets.com.br/events/details/Tribulation-em-Sao-Paulo
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