RODOX anuncia retorno após mais de duas décadas longe dos palcos
Projeto liderado por Rodolfo Abrantes retoma atividades com membros da formação original e reacende debate sobre legado, fé e rock alternativo brasileiro
Redação - SOM DE FITA
1/14/2026




Depois de mais de 20 anos em silêncio, o Rodox confirmou oficialmente seu retorno. A banda, criada por Rodolfo Abrantes após sua saída do Raimundos no início dos anos 2000, volta à ativa com integrantes da formação original e promete novidades que incluem shows e novos projetos ainda não detalhados.
O anúncio encerra um hiato de 22 anos desde o fim das atividades do grupo, interrompidas em 2004 após um curto, porém intenso, período de existência. Mesmo com uma discografia enxuta, o Rodox deixou uma marca específica na cena alternativa brasileira ao unir peso, letras introspectivas e referências diretas à espiritualidade cristã — algo incomum no rock nacional daquela época.
A confirmação do retorno veio pelas redes sociais e rapidamente se espalhou entre fãs antigos e curiosos que acompanharam, à distância, os caminhos individuais de Rodolfo Abrantes desde então. Mais do que um simples comeback nostálgico, o anúncio reacende discussões sobre contexto, maturidade artística e o lugar que o Rodox pode ocupar no cenário atual.
Um anúncio discreto, mas carregado de significado
Os primeiros sinais de que algo estava por vir surgiram quando Rodolfo Abrantes publicou, em seu perfil pessoal no Instagram, uma arte animada com o logotipo do Rodox. O detalhe que chamou atenção foi a marcação de músicos ligados à formação original da banda, o que levou fãs a especularem sobre uma possível reunião.
A confirmação veio pouco depois, desta vez pelo perfil oficial do Rodox. Em vídeo, Rodolfo falou de forma direta, sem grandes produções ou discursos longos, mas deixando clara a empolgação com a retomada do projeto. Na gravação, ele afirmou:
“O Rodox tá na pista. Eu nem acredito que a gente vai se encontrar na estrada. Se liga no perfil oficial da banda. Tem muita coisa boa vindo por aí.”
A fala, simples e objetiva, foi suficiente para movimentar as redes e gerar uma onda de comentários, compartilhamentos e mensagens de apoio. Diferente de anúncios cercados por estratégias de marketing elaboradas, o retorno do Rodox foi comunicado de forma orgânica, apostando mais na conexão emocional com o público do que em promessas grandiosas.
Esse tipo de abordagem conversa diretamente com a trajetória do próprio projeto, que sempre se posicionou à margem do mainstream, tanto musicalmente quanto em discurso. Ao evitar exageros e manter o tom próximo, o anúncio parece reforçar a ideia de que o retorno acontece mais por vontade artística do que por oportunismo.



O retorno do Rodox encerra um hiato de 22 anos e resgata uma fase singular do rock brasileiro, marcada por peso, introspecção e espiritualidade cristã — Foto: Rodolfo Abrantes e Fernando Schaefer | Reprodução

A formação original e o peso da história
Para essa nova fase, Rodolfo Abrantes se reúne com músicos que fizeram parte da primeira encarnação do Rodox. Estão confirmados Fernando Schaefer na bateria, Pedro Nogueira na guitarra e Patrick Laplan no baixo, guitarra e backing vocal. A formação original também contava com o DJ Bob, falecido em 2022, e com o guitarrista Marcus Ardunay.
O retorno com integrantes históricos não é apenas um detalhe técnico, mas um elemento simbólico importante. Em projetos que voltam após longos períodos, a presença de músicos da formação original costuma funcionar como um selo de autenticidade, afastando a ideia de que se trata apenas de um nome reutilizado.
Na legenda do vídeo publicado nas redes, Rodolfo comentou a recepção calorosa do público e voltou a mencionar a possibilidade de uma turnê, ainda sem datas divulgadas:
“Ainda tô sonhando. Muito obrigado pelo abraço que vocês nos deram com o anúncio da tour do Rodox! Tá difícil controlar a ansiedade.”
A resposta dos fãs foi imediata. Nos comentários, muitos celebraram o retorno, enquanto outros demonstraram cautela, lembrando que o projeto original teve vida curta. Uma mensagem resume bem esse sentimento ambíguo:
“Espero que não seja só uma fase e que venham muitos anos de shows e discos pela frente.”
Esse tipo de reação reflete não apenas a empolgação com a volta, mas também o desejo de que o Rodox encontre agora uma estabilidade que não foi possível no início dos anos 2000, quando mudanças pessoais profundas influenciaram diretamente os rumos da banda.
Rodox, fé e ruptura: contexto de ontem e desafios de hoje
O nascimento do Rodox está diretamente ligado a um dos momentos mais comentados da história recente do rock brasileiro: a saída de Rodolfo Abrantes do Raimundos. Na época, o músico passou por uma conversão religiosa e afirmou que já não se identificava com a filosofia, o discurso e o comportamento associados à banda que o projetou nacionalmente.
Essa ruptura não foi apenas profissional, mas também simbólica. Rodolfo optou por trilhar um caminho artístico alinhado às suas novas convicções pessoais, o que se refletiu diretamente no Rodox. Letras como as de “Olhos Abertos” dialogavam de forma explícita com o cristianismo, sem metáforas excessivamente sutis, o que dividiu opiniões dentro do público do rock.
Se, por um lado, o Rodox encontrou identificação com ouvintes que buscavam esse tipo de mensagem, por outro, enfrentou resistência de setores que viam com desconfiança a aproximação entre rock pesado e discurso religioso. Esse embate ajudou a moldar a identidade da banda, mas também limitou seu alcance em determinados círculos.
Mais de duas décadas depois, o contexto é outro. O cenário musical brasileiro se tornou mais fragmentado, menos dependente de grandes gravadoras e mais aberto a nichos específicos. Nesse ambiente, o retorno do Rodox pode encontrar espaço para existir sem a mesma pressão de agradar ou confrontar grandes públicos.
Ao mesmo tempo, o desafio permanece: como atualizar um projeto que nasceu em um contexto tão específico sem descaracterizá-lo? Até agora, Rodolfo e os demais integrantes têm evitado respostas definitivas, preferindo deixar que a música e os próximos anúncios falem por si.
O retorno do Rodox, portanto, não é apenas uma notícia sobre uma banda que volta após anos parada. É também um capítulo novo em uma trajetória marcada por mudanças radicais, escolhas pessoais e um diálogo constante entre fé, arte e identidade. Resta agora acompanhar como esse reencontro com a estrada vai se desdobrar — e qual será o papel do Rodox em um cenário musical muito diferente daquele que ficou para trás.

LEIA TAMBÉM:
Notícias, resenhas e cultura underground em destaque.
© 2025. Todos os direitos reservados.
Música, atitude e resistência em alta rotação.
Rebobinando o furdunço, Dando o play no Fuzuê.
Siga a gente nas redes sociais


