RÉGIS TADEU chama DEEP PURPLE de “boy band” e reacende debate sobre crítica musical

Declaração feita em podcast viraliza nas redes, provoca reações de fãs e levanta discussões sobre rótulos, provocação e o papel do crítico no jornalismo musical

Redação - SOM DE FITA

12/18/2025

O crítico musical Régis Tadeu voltou a ocupar o centro do debate nas redes e nos círculos de música ao fazer mais uma declaração capaz de dividir opiniões. Durante sua participação no podcast “Assino Embaixo”, apresentado por Felipe Andreoli e Paulo Baron, Régis afirmou que o Deep Purple, assim como o Angra, pode ser classificado como uma “boy band”. A frase, dita de forma direta e sem rodeios, rapidamente ganhou repercussão no YouTube, em cortes do programa e em outras plataformas digitais, reacendendo discussões antigas sobre provocação, crítica musical e o uso — ou abuso — de rótulos na indústria da música.

A fala surgiu em um momento informal da conversa, quando Andreoli questionou se o Angra poderia ser considerado uma boy band. Régis respondeu afirmativamente e, em seguida, ampliou a provocação: “Além do Angra, o Deep Purple também é uma boy band”. A declaração, embora aparentemente absurda para parte do público, foi apresentada pelo crítico como uma forma de questionar definições engessadas e a maneira como fãs e imprensa costumam enquadrar artistas dentro de categorias fixas.

Mais do que um ataque direto às bandas citadas, o comentário acabou funcionando como ponto de partida para um debate mais amplo sobre subjetividade, opinião e os limites — ou a ausência deles — na crítica cultural.

A declaração que viralizou e dividiu opiniões

A repercussão da fala de Régis Tadeu foi imediata. Trechos do podcast começaram a circular intensamente nas redes sociais, especialmente entre fãs de rock e heavy metal, públicos historicamente sensíveis a críticas direcionadas a bandas consagradas. Para muitos ouvintes, associar um nome como o Deep Purple, referência fundamental do hard rock desde o final dos anos 1960, ao conceito de “boy band” soou como uma provocação gratuita ou até uma tentativa deliberada de gerar engajamento por meio da polêmica.

Outros, no entanto, interpretaram a declaração dentro do contexto apresentado pelo próprio crítico. Durante o episódio, Régis deixou claro que não estava discutindo qualidade musical ou relevância histórica, mas sim a forma como determinadas bandas são organizadas, promovidas e consumidas enquanto produtos culturais. Nesse sentido, o uso do termo “boy band” aparece menos como um julgamento literal e mais como um recurso retórico para desmontar hierarquias simbólicas que colocam certos artistas acima de qualquer questionamento.

A provocação também reacendeu discussões antigas sobre o estilo de atuação de Régis Tadeu, conhecido por opiniões contundentes e por não suavizar críticas para agradar fãs ou artistas. Ao longo de sua trajetória, ele construiu uma imagem marcada justamente pela disposição de confrontar consensos e desafiar leituras cristalizadas da música popular.

Régis Tadeu provoca ao afirmar que “além do Angra, o Deep Purple também é uma boy band”, levantando debate sobre rótulos na música — Foto: Reprodução

Crítica musical, subjetividade e rejeição à imparcialidade

Durante a conversa no podcast, Régis Tadeu aproveitou o episódio para reafirmar sua visão sobre o papel do crítico musical. Para ele, a ideia de imparcialidade no jornalismo cultural é ilusória. Segundo sua argumentação, toda crítica parte inevitavelmente de um ponto de vista pessoal, moldado por referências, experiências e valores individuais.

Ao defender essa postura, o crítico sustentou que seu trabalho não tem como objetivo agradar audiências ou validar expectativas de fãs, mas provocar reflexão — mesmo que isso gere desconforto ou rejeição. Essa visão entra em choque com uma parcela do público que espera do crítico uma função mais descritiva ou conciliadora, especialmente quando se trata de artistas consagrados.

A fala sobre Deep Purple e Angra, nesse contexto, funciona como exemplo prático dessa filosofia. Ao usar um termo tradicionalmente associado ao pop adolescente para se referir a bandas de rock e metal, Régis tensiona categorias e obriga o ouvinte a sair da zona de conforto. O resultado é previsível: reações passionais, debates acalorados e uma nova rodada de discussões sobre os limites da crítica opinativa.

Esse tipo de abordagem também expõe uma fratura recorrente entre crítica especializada e fandoms organizados. Enquanto críticos tendem a valorizar a liberdade de opinião, fãs frequentemente interpretam comentários desse tipo como ataques pessoais ou desrespeito à história de artistas que admiram.

Personagem, autenticidade e o jogo da provocação

Outro ponto abordado por Régis Tadeu durante o podcast foi a percepção de que ele atuaria como um personagem midiático. O crítico rejeitou essa leitura e afirmou que não interpreta um papel calculado para gerar polêmica. “Eu sou o que eu sou”, disse, ao explicar que sua postura pode variar conforme o ambiente, mas que sua essência permanece a mesma.

Essa afirmação ajuda a entender por que declarações como a que envolve o Deep Purple continuam surgindo. Para Régis, a provocação não é um artifício externo à sua atuação, mas parte integrante de sua forma de pensar e se expressar sobre música e cultura. Ainda assim, é inegável que esse tipo de fala se encaixa perfeitamente na lógica atual das plataformas digitais, onde cortes polêmicos circulam rapidamente e alimentam ciclos de engajamento.

Ao mesmo tempo, a controvérsia levanta uma questão relevante para o jornalismo cultural contemporâneo: até que ponto a provocação é uma ferramenta legítima de crítica, e quando ela passa a funcionar apenas como ruído? No caso específico, a repercussão indica que, goste-se ou não da comparação, ela cumpriu seu papel de gerar debate e expor tensões existentes no discurso sobre música popular.

No fim das contas, a declaração de Régis Tadeu sobre o Deep Purple ser uma “boy band” diz menos sobre a banda em si e mais sobre o estado atual da crítica musical. Em um cenário dominado por algoritmos, engajamento e polarização, opiniões fortes continuam sendo uma das poucas formas de romper a indiferença. Se isso contribui para um debate mais profundo ou apenas alimenta conflitos superficiais, é uma pergunta que segue em aberto — e que, provavelmente, continuará sendo explorada a cada nova provocação.

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