Luís Capucho lança o single “Tava na Noite” e antecipa novo álbum “Homens Machucados”
Canção chega ao streaming pela + Um Hits e reforça a escrita intuitiva e cotidiana do artista capixaba radicado em Niterói
Redação - SOM DE FITA
12/22/2025




Luís Capucho, cantor, compositor, escritor e artista visual com trajetória singular na música brasileira, acaba de lançar o single “Tava na Noite”, nova faixa que antecipa o álbum “Homens Machucados”, previsto para os próximos meses. A canção reforça uma linha estética já conhecida em sua obra, na qual a palavra ocupa lugar central, o violão atua como eixo narrativo e a interpretação vocal carrega marcas evidentes de experiência, observação do cotidiano e maturidade artística.
Compositor que já teve músicas gravadas por nomes centrais da música brasileira, como Cássia Eller, Elza Soares, Gal Costa, Ney Matogrosso, Zélia Duncan, Adriana Calcanhotto e Caetano Veloso, Capucho construiu uma trajetória sólida, ainda que distante de estratégias comerciais tradicionais. Seu trabalho autoral segue um caminho próprio, atento às nuances da vida comum, às contradições humanas e à relação íntima entre letra, melodia e interpretação.
“Tava na Noite” chega ao público por meio do selo/produtora + Um Hits, o mesmo responsável pelo lançamento do single anterior, “A Masculinidade”, e pela promoção do próximo álbum. A música mantém o compromisso do artista com uma canção direta, sem excessos de produção, sustentada pelo equilíbrio entre simplicidade formal e densidade emocional.
Uma canção nascida do mistério e do cotidiano
Segundo o próprio Capucho, a letra de “Tava na Noite” não foi concebida a partir de um tema previamente delimitado ou de um projeto narrativo fechado. Assim como outras composições recentes, a canção surgiu de um processo intuitivo, que ele associa à ideia de mistério — algo que se impõe durante o ato criativo, sem necessidade de explicação racional imediata.
“Não é algo que eu tenha projetado, tipo, vou fazer uma canção sobre isso. As músicas têm um mistério que eu respeito. Certamente, é uma situação natural pra mim, pegar um ônibus pra tempo passar rápido. O mesmo vale tocar uma música pelo mesmo motivo”, comenta o artista.
A narrativa se estrutura a partir de uma viagem de ônibus, situação comum que funciona como ponto de partida para reflexões sobre tempo, memória, possibilidades e limites da realidade. A imagem do deslocamento físico se desdobra em um percurso interno, no qual pensamentos surgem, se acumulam e se dissipam ao longo do trajeto.
Musicalmente, a faixa aposta em um violão marcado e em uma interpretação vocal contida, quase conversada, que convida o ouvinte a acompanhar a história sem pressa. O arranjo enxuto reforça o caráter intimista da canção, permitindo que letra e melodia conduzam a experiência de escuta.



Capa do single "Tava na Noite", de Luiz Capucho. | Reprodução

Intuição, reinvenção e o assumir-se artista
Luís Capucho se define como um compositor intuitivo, sem formação acadêmica em música, mas com uma relação espontânea e orgânica com a criação musical. Para ele, compor não é resultado de um método técnico rigoroso, mas de uma escuta atenta ao instrumento, à palavra e às próprias emoções.
“Para mim é muito natural compor melodias, tanto que me surpreende que qualquer pessoa que toque um instrumento, não faça o mesmo”, afirma.
Essa postura intuitiva acompanha toda a sua trajetória artística, marcada por momentos de reinvenção. Em determinado período da vida, sequelas motoras o impediram de tocar violão, obrigando-o a redirecionar sua energia criativa para a literatura e as artes visuais. Foi nesse contexto que publicou livros e desenvolveu séries pictóricas, como “As Vizinhas de Trás”, dedicada a retratos femininos e integrada à sua produção visual.
Atualmente aposentado da docência em língua portuguesa, Capucho assume de forma plena sua identidade artística, sem hierarquizar suas linguagens, mas recolocando a música como eixo central de sua atuação.
“Sou um artista assumido, finalmente. Não que ser um artista assumido seja um artista pronto. Estou sempre aprendendo a me adaptar nas possibilidades que vão se apresentando para o perfil de artista que sou. É um caminho.”
Os lançamentos recentes sinalizam uma fase de consolidação, na qual o artista articula sua experiência de vida com uma produção musical cada vez mais consciente de sua identidade e de seus limites expressivos.
Banda, referências e identidade sonora
Outro elemento importante dessa fase é a manutenção, pela primeira vez, de uma banda estável. Há cerca de dois anos, Capucho divide o palco com Felipe Abou (bateria, também líder da Dinastia Zé) e Guilherme Vieira (baixo, integrante da Sutil Modelo Novo). O trio reúne músicos de gerações distintas, com cerca de 20 anos de diferença entre cada integrante, conectados pela música como elemento central de suas trajetórias pessoais.
Enquanto Guilherme, ainda estudante de economia, busca viver exclusivamente de música, Felipe enxerga nela um sentido para a própria existência, e Capucho a reconhece como seu modo de estar no mundo. “Numa palavra, para os três, é a vida”, resume.
As referências musicais de Capucho ajudam a compreender sua identidade sonora. Nascido em Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, ele teve contato, na infância, com música caipira, brega e jovem guarda. Na adolescência, já em Niterói, mergulhou na MPB urbana e literária, de harmonias mais elaboradas e forte diálogo com a poesia.
Após o coma e o processo de reaprendizado do violão, sua voz e seu estilo ganharam uma rusticidade maior, aproximando-se do rock e do universo underground. Essa dualidade o posiciona tanto ao lado de artistas associados aos chamados “malditos” da MPB, como Jorge Mautner, Jards Macalé e Walter Franco, quanto de referências internacionais como Lou Reed e Tom Waits.
O álbum “Homens Machucados” surge como síntese dessas fases, reunindo delicadeza poética e aspereza sonora. Com os novos lançamentos, Capucho afirma ter alcançado uma definição mais clara de sua identidade artística, sem a necessidade de rótulos.
Sobre público e mercado, o compositor evita segmentações rígidas. “Não entendo que eu tenha um público definido. A priori meu público são as pessoas de um modo geral. Acho que o mercado é que define isso, meio que a minha revelia. Eu mesmo, me expresso livre, de meu ponto de vista, para qualquer um que esteja aberto, que se interesse, que goste ou que se toque.”
Ficha técnica
Luís Capucho – voz e violão
Vitor Wutzki – guitarra
Mais informações: @luiscapucho11
Ouça “Tava na Noite” nas plataformas digitais: https://ditto.fm/tava-na-noite
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