LIVING COLOUR projeta novo álbum para a primavera de 2026
Banda segue em processo criativo e fala sobre política, tecnologia e a busca por um novo som
Redação - SOM DE FITA
1/15/2026




Depois de quase uma década desde o lançamento de Shade (2017), o Living Colour voltou a dar sinais mais concretos de que um novo disco finalmente começa a ganhar forma. Em entrevistas recentes, integrantes do grupo deixaram claro que o trabalho segue em andamento, ainda sem data exata de lançamento, mas com uma expectativa otimista: a primavera de 2026. O momento marca mais um capítulo de um processo longo, cuidadoso e deliberadamente aberto, característica recorrente na trajetória da banda nova-iorquina.
Conhecida por mesclar rock, funk, metal, soul e jazz, além de letras politizadas e observações afiadas sobre a sociedade norte-americana, a Living Colour parece determinada a não apressar o próximo passo. A ideia, segundo os próprios músicos, não é apenas entregar um novo álbum, mas encontrar uma voz que dialogue com o presente sem romper com o passado — algo que, para eles, sempre foi mais importante do que seguir cronogramas rígidos da indústria.
Expectativa para 2026 e um som ainda em construção
Em entrevista ao site chileno iRock.cl, o baterista Will Calhoun confirmou que a banda segue trabalhando no sucessor de Shade e apontou um horizonte temporal mais definido. “Espero que até esta primavera — primavera de 2026”, afirmou, ao ser questionado sobre quando o álbum poderia estar finalizado.
Sobre a sonoridade do novo material, Calhoun deixou claro que o grupo ainda não chegou a um consenso estético fechado. “Temos muitas ideias interessantes no momento. Obviamente, há muitas coisas políticas acontecendo no mundo e, certamente, neste país. Então, para mim, o som agora está um pouco mais próximo de Stain”, disse, em referência ao disco lançado em 1993. Ao mesmo tempo, ele pondera que o resultado não será uma simples repetição: “Ainda é, de certa forma, um som novo para a banda”.
O baterista explicou que o grupo está em plena fase de experimentação. “Não acho, honestamente, que já tenhamos um som definido para o disco. Estamos no estágio de composição. Estamos testando timbres, vendo o que funciona e o que não funciona”, afirmou. Para Calhoun, o desafio é encontrar um território novo sem negar a identidade construída ao longo de décadas. “Adoro onde estivemos e adoro onde estamos agora, mas espero que possamos chegar a algum lugar novo”.
Nesse ponto, o músico faz uma reflexão curiosa sobre o impacto atemporal da música da banda. “‘Cult Of Personality’ foi escrita há quase 35 anos, lançada há 32, e continua relevante hoje”, observou. Para ele, isso demonstra como certos temas atravessam gerações. Ainda assim, Calhoun reforça que o foco principal não está apenas no som, mas na intenção. “Espiritualmente, para nós, o mais importante é o conteúdo. Queremos trazer novos fãs e não decepcionar os antigos”.



Living Colour se apresenta ao vivo no The Birchmere em 12 de maio de 2025. (Foto: Rashad Polk)

Tecnologia, método e a importância de tocar juntos
Ao comentar como o processo de composição mudou nas últimas três décadas, Will Calhoun reconheceu o impacto das novas ferramentas tecnológicas. “Hoje temos novas tecnologias. Existe inteligência artificial. Está mais fácil escrever. Você tem coisas no laptop — Logic Pro, Pro Tools — até no celular, como o GarageBand”, explicou. Para ele, o excesso de recursos também influencia diretamente a criatividade: “Temos mais brinquedos para nos influenciar a escrever”.
Apesar disso, Calhoun deixa claro que, para o rock e especialmente para a Living Colour, nada substitui o método tradicional. “Entrar numa sala, ligar os instrumentos e trabalhar as músicas juntos sempre nos deu os melhores resultados”, disse. A declaração ecoa uma visão compartilhada por outros integrantes da banda.
Em outubro do ano passado, o guitarrista Vernon Reid comentou o andamento do projeto em entrevista ao programa Trunk Nation With Eddie Trunk, da SiriusXM. “Estávamos gravando e escrevendo… Já temos um conjunto de músicas. Provavelmente vamos fazer muitas outras antes de decidir o que o álbum realmente é”, explicou. Segundo Reid, o processo segue em aberto e em constante avaliação. “Estamos processando onde estamos agora. Estou realmente ansioso pelos próximos passos. Estamos ativos dentro desse processo”.
O guitarrista também revelou algumas colaborações e experimentações curiosas. “Colaboramos com Frankie Bello. Temos várias faixas. É algo meio elusivo”, contou. Reid disse ainda que busca riffs marcantes como ponto central do novo trabalho. “Estou procurando riffs implacáveis, irresistíveis”, afirmou. Parte das gravações aconteceu em estúdios como o Carriage House e o Clubhouse, que ele descreveu como ambientes inspiradores e propícios à criação coletiva.
Uma banda madura, sem pressa e consciente do próprio tempo
O baixista Doug Wimbish também comentou o andamento do novo disco em entrevista ao programa The Plowzone, exibido na RokuTV em 2025. Questionado se a banda estava trabalhando em material inédito, foi direto: “Estamos, sim. Na verdade, estamos coletando ideias para chegar ao ponto em que possamos entrar no estúdio com material suficiente para realmente construir as músicas”.
Wimbish reforçou que a Living Colour funciona melhor quando todos estão juntos. “Coloque todo mundo na sala, ligue tudo e vamos tocar ao mesmo tempo. É aí que a mágica acontece”, explicou. Ele descreveu um método quase ritualístico: tocar, gravar, ir para casa, dormir, voltar no dia seguinte e repetir. “Se você entra nesse tipo de rotina, as coisas começam a acontecer. Caso contrário, você fica esperando o momento mágico e acaba esperando Godot”, brincou.
O vocalista Corey Glover já havia sinalizado, em entrevistas anteriores, que o grupo ainda buscava uma direção conceitual clara para o novo álbum. Em conversa com o site Myglobalmind, em 2024, ele afirmou: “Ainda estamos na fase de composição. Estamos em busca de uma voz. É importante ter algo relevante a dizer, especialmente neste momento”. Glover admitiu que, se tudo tivesse dado certo, o disco poderia ter saído antes, mas questões de agenda atrapalharam. “O mundo não vai mudar tanto assim. E, se mudar, a gente fala sobre isso”, disse.
Essa postura paciente também foi destacada pelo cantor em 2023, quando comentou o tempo que a banda leva para finalizar seus trabalhos. “Levamos muito tempo para fazer discos porque queremos que esteja certo”, afirmou. Ele lembrou que, além da música, os integrantes lidam hoje com responsabilidades pessoais que não existiam no início da carreira. “Somos mais velhos, temos filhos, faculdade, escola… e ainda precisamos escrever músicas”, disse, rindo.
Formada no fim dos anos 1980, a Living Colour se separou em 1995 e retornou em 2000, mantendo uma trajetória marcada por idas e vindas, mas também por consistência artística. O grupo voltou a ganhar destaque em 2020 ao relançar o clipe de “This Is The Life” com imagens dos protestos após a morte de George Floyd, reforçando seu histórico de engajamento social.
Enquanto o novo álbum não chega, o que fica claro é que a Living Colour segue fiel à própria essência: sem pressa, sem fórmulas prontas e com atenção máxima ao contexto em que sua música será lançada. A primavera de 2026 pode marcar o retorno do grupo aos discos de estúdio, mas, para eles, o mais importante parece ser chegar lá com algo que realmente faça sentido.
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