KADAVAR confirma show único em São Paulo em março de 2026 com turnê do novo álbum
Banda alemã retorna ao Brasil após oito anos e se apresenta no Carioca Club no dia 21 de março; ingressos já estão à venda
Redação - SOM DE FITA
12/22/2025




Após um longo intervalo longe dos palcos brasileiros, o Kadavar confirmou seu retorno ao país em março de 2026. A banda alemã de space e stoner rock fará um único show no Brasil no dia 21 de março, um sábado, em São Paulo, no Carioca Club. A apresentação integra a turnê do álbum K.A.D.A.V.A.R. (Kids Abandoning Destiny Among Vanity and Ruin), lançado em novembro de 2025, e marca a volta do grupo a uma sonoridade mais diretamente ligada às suas origens.
A realização do evento é da Agência Sobcontrole, e os ingressos já estão disponíveis para venda. O anúncio movimentou especialmente o público que acompanha a trajetória do Kadavar desde a década passada, quando a banda construiu uma base fiel de fãs no Brasil a partir de turnês intensas e de uma estética sonora claramente inspirada no rock pesado dos anos 1970.
O retorno acontece em um momento particular da carreira do grupo, que nos últimos anos passou por mudanças de formação, experimentações estéticas e lançamentos com propostas distintas. Agora, como quarteto, o Kadavar apresenta um trabalho que dialoga tanto com o peso característico do stoner rock quanto com a experiência acumulada ao longo dessas transformações.
Um retorno ao Brasil em clima de reafirmação sonora
O show em São Paulo marca a primeira passagem do Kadavar pelo Brasil em cerca de oito anos. Desde a última visita, a banda atravessou um período de redefinições internas e artísticas. Após explorar caminhos mais experimentais em trabalhos recentes, o grupo decidiu revisitar elementos que ajudaram a consolidar sua identidade no cenário internacional: riffs pesados, psicodelia e um groove marcado, com forte apelo ao rock clássico.
Essa decisão se reflete diretamente no novo álbum. K.A.D.A.V.A.R. foi lançado em 7 de novembro de 2025 pelo selo Clouds Hill, poucos meses depois de I Just Want To Be A Sound, de maio do mesmo ano. A proximidade entre os dois discos evidencia fases distintas dentro de um curto espaço de tempo. Enquanto o trabalho anterior apostava em abordagens mais abertas e experimentais, o novo registro é frequentemente descrito como uma “volta às raízes”, com maior presença do stoner rock que projetou a banda internacionalmente na década de 2010.
A escolha por uma produção mais crua e direta não foi casual. O grupo optou por gravações analógicas e por um processo de produção descrito como “de volta ao básico”, buscando resgatar a energia orgânica do rock setentista. A proposta foi pensada como uma reconexão tanto com influências históricas quanto com o público que acompanha o Kadavar desde os primeiros discos.
No palco do Carioca Club, a expectativa é de um repertório que combine faixas do novo álbum com músicas que marcaram fases anteriores da banda, equilibrando diferentes momentos da discografia em uma apresentação única no país.




O álbum K.A.D.A.V.A.R. e a retomada do stoner rock
O novo disco do Kadavar funciona como um manifesto de identidade após um período de experimentação. Logo na faixa de abertura, “Lies”, o grupo apresenta um riff inicial com peso próximo do doom metal, que se desenvolve em uma explosão de rock psicodélico, sinalizando a fusão entre densidade e fluidez que percorre todo o álbum.
Ao longo do trabalho, os riffs assumem papel central, mas sem abrir mão de variações rítmicas e climáticas. Faixas como “Stick It” trazem um groove mais relaxado, remetendo ao humor despojado presente nos primeiros lançamentos da banda. Já “Total Annihilation” figura entre as músicas mais pesadas da carreira do grupo, reforçando a disposição do Kadavar em explorar intensidades distintas dentro de uma mesma proposta estética.
O título do álbum, apresentado como um acrônimo — Kids Abandoning Destiny Among Vanity and Ruin —, também sugere um comentário mais amplo sobre geração, escolhas e desgaste cultural, ainda que a banda não tenha adotado um discurso explícito ou conceitual fechado. A força do disco reside menos em narrativas lineares e mais na construção de atmosferas sonoras que dialogam com o passado sem parecerem datadas.
Mesmo com o retorno a uma linguagem mais reconhecível para os fãs antigos, o álbum não soa como uma simples repetição. A experiência adquirida nos últimos anos aparece na forma como as músicas são estruturadas, no controle das dinâmicas e na segurança com que o grupo transita entre momentos mais crus e passagens psicodélicas mais expansivas.
Esse equilíbrio entre familiaridade e maturidade é um dos pontos que tornam a turnê de 2026 especialmente aguardada, sobretudo em mercados como o brasileiro, onde o Kadavar sempre encontrou receptividade.
De Berlim para o mundo: a trajetória do Kadavar
Formado em 2010, em Berlim, o Kadavar surgiu em um contexto de redescoberta e revitalização do rock pesado com influências retrô na Europa. Desde o início, a banda se destacou pela combinação de riffs densos, referências claras ao hard rock e ao heavy psych dos anos 1970 e uma estética visual e sonora fortemente analógica.
O trio original, composto por Christoph “Lupus” Lindemann (vocais e guitarra), Christoph “Tiger” Bartelt (bateria) e Simon Bouteloup (baixo), rapidamente chamou atenção com o álbum de estreia Kadavar (2012). Na sequência, Abra Kadavar (2013) ampliou o alcance da banda, consolidando sua reputação no circuito underground e abrindo portas para turnês internacionais mais extensas.
O disco Berlin (2015) representou um ponto alto dessa fase inicial, com produção mais refinada e composições que equilibravam peso e melodia. A partir daí, o grupo passou a experimentar novas direções criativas, o que incluiu mudanças temporárias na formação e colaborações diversas. Essas transformações culminaram na consolidação do Kadavar como quarteto, com a entrada de Jascha Kreft, ampliando as possibilidades sonoras do grupo.
Ao longo de mais de uma década de atividade, o Kadavar construiu uma carreira marcada pela intensa circulação ao vivo, o que contribuiu para sua projeção global. O retorno ao Brasil em 2026 se insere nesse histórico de turnês consistentes e reforça a relação duradoura da banda com o público local.
Mais do que apenas revisitar sucessos, o show em São Paulo se apresenta como um retrato do momento atual do Kadavar: uma banda que olha para suas origens sem ignorar o caminho percorrido, e que encontra no equilíbrio entre passado e presente a base para seguir em frente.
LEIA TAMBÉM:
Notícias, resenhas e cultura underground em destaque.
© 2025. Todos os direitos reservados.
Música, atitude e resistência em alta rotação.
Rebobinando o furdunço, Dando o play no Fuzuê.
Siga a gente nas redes sociais


