JUDAS PRIEST terá documentário inédito exibido no Festival de Berlim

“The Ballad of Judas Priest” estreia na Berlinale e leva a história da banda a um dos palcos mais prestigiados do cinema mundial

Redação - SOM DE FITA

1/16/2026

O Judas Priest será tema de um documentário inédito que terá sua estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Berlim, a tradicional Berlinale, realizada entre os dias 12 e 22 de fevereiro. Intitulado The Ballad of Judas Priest, o filme chega ao circuito internacional com a proposta de revisitar mais de cinco décadas de trajetória de uma das bandas mais influentes da história do heavy metal, agora sob a lente do cinema documental.

A confirmação da estreia foi feita pela produtora Banger Films, responsável pelo projeto, que destacou o caráter simbólico da exibição inicial na Alemanha — país historicamente ligado à cultura do metal. Em comunicado, a empresa afirmou: “Estamos extremamente empolgados para que todos os nossos metalheads alemães sejam os primeiros a conferir.” A frase indica o tom do lançamento: uma celebração direcionada aos fãs, mas inserida em um contexto cultural muito mais amplo.

A presença do Judas Priest na Berlinale não é apenas uma curiosidade. O festival é reconhecido por valorizar obras com relevância social, política e histórica, o que reforça a leitura do heavy metal como fenômeno cultural legítimo. O documentário se posiciona, portanto, como um registro que ultrapassa o entretenimento e dialoga com identidade, comportamento e resistência ao longo do tempo.

A escolha da Berlinale e o metal como objeto cultural reconhecido

A estreia de The Ballad of Judas Priest no Festival de Berlim representa um movimento cada vez mais claro de aproximação entre o cinema de prestígio e narrativas vindas da música pesada. Nos últimos anos, a Berlinale tem aberto espaço para documentários que abordam expressões culturais antes vistas como marginais, reposicionando-as como parte central da história contemporânea.

Nesse contexto, o Judas Priest surge como um personagem natural. Formada em Birmingham, em meio a um cenário industrial e operário, a banda ajudou a moldar o heavy metal não apenas como gênero musical, mas como identidade estética e social. A ida do grupo para um festival desse porte reforça a ideia de que o metal é, também, um documento de época.

O filme promete contextualizar essa trajetória dentro de transformações sociais mais amplas, mostrando como a banda atravessou mudanças de mercado, crises internas e alterações profundas na indústria musical sem perder relevância. A escolha da Berlinale como vitrine inicial sugere que o documentário não se limita a fãs, mas busca diálogo com um público interessado em cultura, história e comportamento.

“The Ballad of Judas Priest” revisita a trajetória do Judas Priest do início ao impacto global, com entrevistas, arquivos e foco no legado — Foto: Reprodução

Sam Dunn, Tom Morello e a proposta de ir além do mito da banda

A direção do documentário é assinada por Sam Dunn, conhecido por analisar o metal a partir de uma perspectiva histórica e sociológica, e por Tom Morello, que faz sua estreia como diretor. A combinação dos dois nomes aponta para uma abordagem que mistura pesquisa, envolvimento pessoal e leitura política da música.

Segundo os diretores, o objetivo foi fugir da narrativa superficial centrada apenas em grandes sucessos. Em declaração conjunta, eles afirmaram: “Embora alguns conheçam o Judas Priest por seus grandes sucessos que moldaram o heavy metal, há muito mais nessa história.” O documentário acompanha a banda ao longo de 50 anos, explorando decisões artísticas, conflitos, reinvenções e o impacto cultural de suas escolhas.

Morello e Dunn também destacam o papel do Judas Priest na definição da estética do metal e na ampliação de seus limites simbólicos. “Ao traçar essa jornada incrível de 50 anos, este filme mostrará como o Judas Priest definiu tanto o som quanto o visual do metal, além de torná-lo um espaço mais inclusivo ao longo do caminho.” A fala aponta para temas como liberdade de expressão, identidade e quebra de padrões conservadores dentro do gênero.

De Birmingham para o mundo

Ao longo de sua carreira, o Judas Priest lançou 19 álbuns de estúdio e vendeu mais de 50 milhões de discos em todo o mundo. Canções como “Breaking the Law” e “You’ve Got Another Thing Coming” ultrapassaram o nicho do metal e se tornaram parte da cultura pop, sendo utilizadas em filmes, séries, comerciais e eventos esportivos.

O reconhecimento institucional veio em 2022, com a entrada da banda no Rock and Roll Hall of Fame, consolidando seu papel histórico dentro da música popular. Já em 2024, o grupo atingiu outro marco simbólico com o lançamento de Invincible Shield, tornando-se a primeira banda de heavy metal a lançar álbuns de estúdio com um intervalo de 50 anos entre si. O disco recebeu críticas positivas e rendeu uma indicação ao Grammy na categoria “Best Metal Performance”.

Sobre o documentário, o próprio Judas Priest resumiu o espírito do projeto com uma declaração que reforça o tom direto da obra: “Vivemos e respiramos metal por mais de cinco décadas e, finalmente, neste documentário, estamos convocando nossa congregação para testemunhar oficialmente nossas vidas sem censura, de uma forma nunca vista antes… a batina cai, revelando o Priest em toda a sua glória metal!”

Produzido pela Banger Films, The Ballad of Judas Priest conta com produção de Scot McFadyen e Sam Dunn. A produção executiva inclui Tom Morello, Rick Krim, Sheila Stepanek e Jayne Andrews. Pela Sony Music Vision, os produtores executivos são Tom Mackay, Krista Wegener e Abby Davis, enquanto Sylvia Rhone assina pela Epic Records. A apresentação e distribuição ficam a cargo da Sony Music Vision.

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