JÉSSICA FALCHI aposta no thrash no último single do EP que estreia em 2026
‘Sweetchasm, Pt. 2’ aprofunda o lado mais pesado do projeto e integra série de lançamentos que culmina em EP previsto para janeiro
Redação - SOM DE FITA
1/3/2026




Começar o ano falando de música pesada feita com método é melhor do que fingir que nada aconteceu durante o recesso. Esta é a primeira notícia de 2026, e nada melhor do que começar o ano falando dela. A guitarrista brasileira Jéssica Falchi segue avançando na construção de sua carreira solo com o lançamento de “Sweetchasm, Pt. 2”, terceiro single de uma sequência planejada de quatro músicas que antecedem o EP de estreia do projeto Falchi, programado para janeiro de 2026. A nova faixa marca uma mudança perceptível de abordagem dentro do repertório já apresentado, incorporando de forma mais direta elementos do thrash metal, sem abrir mão da identidade moderna e instrumental que vem caracterizando o trabalho da guitarrista.
Desde o início dessa nova fase, Falchi tem apostado em lançamentos espaçados e conceitualmente conectados, permitindo que cada faixa revele uma faceta diferente de sua linguagem musical. “Sweetchasm, Pt. 2” surge como o capítulo mais agressivo até aqui, com riffs mais cortantes, andamento intenso e uma condução que evidencia a influência do metal pesado dentro de um contexto técnico e contemporâneo. O single chegou acompanhado de um videoclipe gravado no estúdio Sonastério, ampliando a experiência audiovisual do lançamento.
Sem recorrer a exageros ou discursos grandiosos, o novo trabalho reforça a estratégia da guitarrista de apresentar sua música de forma gradual, destacando composição, execução e conceito. O EP, que será concluído com o próximo lançamento previsto para janeiro de 2026, reúne quatro faixas distintas, mas interligadas por uma mesma proposta estética e sonora.
Uma continuação natural dentro do processo criativo
Embora o título indique uma segunda parte, “Sweetchasm, Pt. 2” não foi concebida inicialmente como uma continuação formal. Segundo a própria Jéssica Falchi, a música nasceu de ideias que surgiram durante a composição da faixa que será apresentada apenas com o lançamento do EP completo. Parte desse material acabou seguindo um caminho diferente do restante da composição original, o que levou à decisão de desenvolvê-lo de forma independente.
“Enquanto eu e o João Pedro (baixo) estávamos compondo a Sweetchasm, o refrão foi pra um lado muito pesado que depois achamos que ficou muito deslocado do restante da música, mas ao invés de ‘jogar fora’, acabamos guardando”, explica a guitarrista. A partir desse fragmento, surgiu a base para o novo single, que acabou ganhando identidade própria e se transformou em uma das faixas centrais dessa fase do projeto.
O processo evidencia uma abordagem comum em trabalhos instrumentais contemporâneos, nos quais ideias são reaproveitadas, reorganizadas e ressignificadas ao longo do tempo. Em vez de descartar elementos que não se encaixam imediatamente, Falchi opta por explorar essas possibilidades em novos contextos, resultando em composições que dialogam entre si sem necessariamente repetir estruturas.
Gravada no estúdio de Jean Patton, ex-integrante do Project46, “Sweetchasm, Pt. 2” mantém o padrão técnico e sonoro das faixas anteriores, mas se destaca como a mais pesada do conjunto até agora. A produção valoriza a precisão dos riffs, a clareza da execução e a dinâmica entre os instrumentos, reforçando a proposta instrumental sem recorrer a excessos de camadas ou efeitos.



Capa do single Sweetchasm, Pt. 2 | Arte: Lauren Zatsvar

Banda Falchi: formação, estética visual e a engrenagem criativa
O projeto Falchi é uma banda instrumental formada por Jéssica Falchi na guitarra, João Pedro Castro no baixo e Luigi Paraventi na bateria. A formação reflete afinidade musical, proximidade pessoal e complementaridade artística. Sobre o baixista, Falchi comenta: “João Pedro é uma das pessoas mais próximas e confiáveis que tenho por perto, fora que é extremamente competente. Temos um gosto musical muito parecido, o que encaixou perfeitamente no perfil do projeto”.
Segundo a guitarrista, o baixo assume papel ativo nas composições, com linhas que dialogam diretamente com os riffs e temas principais, evitando uma função meramente estrutural. Já na bateria, Luigi Paraventi contribui com uma abordagem rítmica versátil, incorporando diferentes técnicas e referências brasileiras de forma natural. “Ele trouxe ideias impecáveis e uma dinâmica rítmica incrível, incorporando elementos brasileiros com muita naturalidade”, afirma.
A produção assinada por Jean Patton também é destacada como parte essencial do processo. “O Jean produziu o trabalho e foi a primeira vez dele nesse papel, dando um significado ainda mais especial pra mim. Ele foi quem me encorajou e validou cada passo”, relata Falchi, reforçando o caráter colaborativo das gravações.
No aspecto visual, todas as artes dos singles são assinadas por Lauren Zatsvar e seguem um conceito simbólico, associando cada música a um animal específico. “Cada animal foi escolhido de acordo com a sonoridade que fazia mais sentido para a música na minha cabeça”, explica a guitarrista, destacando a integração entre som e imagem como parte do projeto.
EP, shows e os próximos passos em 2026
O EP de estreia da banda Falchi será lançado oficialmente no dia 23 de janeiro de 2026 e reunirá quatro faixas com abordagens distintas, mas conectadas por uma mesma proposta estética. “Cada música traz uma abordagem diferente e eu as vejo como bem distintas entre si, mas sempre partindo do princípio do rock/metal e tentando incluir uma pitada das referências brasileiras”, revela Jéssica Falchi.
Na mesma data, a guitarrista estará presente na NAMM Show, em Los Angeles, uma das principais feiras da indústria musical mundial, ampliando a visibilidade internacional do projeto.
Além dos lançamentos em estúdio, 2026 também marca a consolidação do projeto Falchi nos palcos. No dia 21 de março, a banda será a atração de abertura do show dos suecos do Katatonia em São Paulo, no Cine Joia, um dos compromissos mais relevantes dessa nova fase ao vivo.
Com “Sweetchasm, Pt. 2” e o EP prestes a ser lançado, Jéssica Falchi apresenta um trabalho que equilibra técnica, peso e identidade própria, sem recorrer a atalhos ou discursos inflados. Um início de ano direto, barulhento e bem resolvido — como convém.


Foto: César Ovalle
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