IAN PAICE revela álbum em parceria com o filho e destaca fase criativa fora do DEEP PURPLE

Baterista histórico afirma que projeto com James Paice não será um disco técnico de bateria e deve chegar ao público no fim do próximo ano

Redação - SOM DE FITA

12/26/2025

O baterista Ian Paice, único integrante presente em todas as formações do Deep Purple, revelou que está trabalhando em um novo álbum em parceria com o filho, James Paice. O projeto, descrito pelo próprio músico como um trabalho de rock autoral — e não um disco centrado em técnica de bateria — vem sendo desenvolvido há alguns anos e ainda passa pelas etapas finais de mixagem.

Aos 77 anos, Paice segue em plena atividade, equilibrando compromissos com o Deep Purple, apresentações em clubes menores com a banda Purpendicular e agora um mergulho criativo em estúdio ao lado da família. A novidade foi anunciada pelo próprio baterista em um vídeo publicado no dia 23 de dezembro, no qual ele também refletiu sobre a pausa recente do Deep Purple, o envelhecimento na estrada e a necessidade de manter o corpo e a mente em movimento.

Sem tom promocional exagerado, Paice falou com franqueza sobre os desafios logísticos do projeto, a escolha criteriosa dos músicos envolvidos e até mesmo planos que não se concretizaram, como a participação de Brian Johnson, do AC/DC. O resultado, segundo ele, será um álbum de rock direto, feito com calma, maturidade e colaboração.

Um ano fora do ritmo tradicional do Deep Purple

No vídeo, Ian Paice contextualiza o momento vivido recentemente pelo Deep Purple, que decidiu reduzir o ritmo de turnês ao longo do último ano. Segundo o baterista, a banda optou por tirar o verão europeu de folga — algo raro em sua trajetória moderna.

“Olá, meus amigos. Foi um ano estranho para nós. O Deep Purple decidiu tirar o verão de folga, algo que não fazíamos desde 1984. E foi ótimo poder passar esse tempo com nossas famílias, em vez de ficar sentado em aviões viajando pelo mundo”, afirmou o músico.

A pausa, no entanto, não significou inatividade. Enquanto o Deep Purple desacelerava, Paice seguiu tocando com o Purpendicular, grupo que nasceu em 2007 como uma banda tributo, mas que ao longo dos anos passou a desenvolver material próprio. Para ele, tocar em clubes menores e espaços mais íntimos não representa um retrocesso, mas uma necessidade física e mental.

“Quando me perguntam nesses shows por que estou fazendo isso, por que estou tocando em clubes pequenos, eu digo às pessoas — e é a verdade: quando você chega a uma certa idade, precisa continuar tocando. Não pode parar”, explicou.

Paice detalhou que, diferentemente da juventude, em que pausas longas não trazem grandes consequências, o corpo exige manutenção constante com o passar dos anos. “Os músculos não funcionam da mesma forma. Você não pode deixá-los esquecer o que devem fazer. A única maneira de manter isso em ordem é estar no palco”, afirmou, ressaltando que ensaiar em estúdio não substitui a experiência ao vivo.

O álbum com James Paice: rock, colaboração e paciência

A principal novidade revelada por Ian Paice foi o álbum que vem sendo desenvolvido ao lado do filho James e do parceiro musical Ben Batson. Segundo o baterista, o material é fruto de composições criadas pela dupla, com Paice contribuindo na bateria, mas sem transformar o disco em um exercício técnico ou autorreferente.

“Tenho trabalhado em estúdio com meu filho James e o parceiro musical dele, Ben Batson. Eles escreveram algumas músicas novas maravilhosas para eu tocar. Só para deixar claro: não é um disco de bateria. Eventualmente até os bateristas se cansam disso”, afirmou, em tom bem-humorado.

Paice descreveu o álbum como um trabalho de “rock and roll novo e agradável”, feito com atenção especial à escolha dos músicos convidados. Segundo ele, o processo foi longo justamente por depender da disponibilidade de instrumentistas e vocalistas que estão constantemente em turnê ou envolvidos em outros projetos.

“Levamos um tempo para acertar tudo, porque eu queria músicos realmente bons, e a disponibilidade deles não é algo que se possa garantir facilmente”, explicou. O baterista revelou que as faixas de bateria foram gravadas há cerca de quatro anos, e desde então o projeto vem sendo lapidado até chegar ao estágio atual.

Entre os nomes cogitados para participações, Paice mencionou o vocalista Brian Johnson, do AC/DC. No entanto, circunstâncias externas impediram a colaboração. “Brian estava programado para gravar algumas faixas, mas na noite anterior à sessão, um furacão devastador atingiu a Flórida e passou pela região onde fica a casa principal dele. Obviamente, ele precisou voltar correndo para os Estados Unidos para ver se ainda tinha uma casa”, relatou.

Pouco depois, o AC/DC retomou uma turnê extensa, tornando a participação inviável. “Essas coisas acontecem. Às vezes, os melhores planos simplesmente vão por água abaixo”, resumiu Paice, sem lamentações excessivas.

Carreira contínua, saúde e legado no rock

Ian Paice também aproveitou o comunicado para atualizar os fãs sobre o andamento final do álbum. Segundo ele, as gravações estão concluídas e a próxima etapa envolve definir onde, quando e com quem o material será mixado. A expectativa é que o disco fique pronto “por volta do final do próximo ano”.

No encerramento da mensagem, Paice desejou boas festas ao público e comentou, de forma sóbria, o cenário global. “Como qualquer pessoa sensata, espero que o caos que tantas pessoas estão enfrentando neste momento possa ser resolvido rapidamente. A história mostra que, quando essas situações acontecem — guerras, conflitos, chame como quiser — no fim das contas, ninguém realmente vence”, afirmou.

Ele também confirmou que o Deep Purple deve retomar as atividades em turnê mundial no próximo ano, reforçando que, apesar de projetos paralelos, o vínculo com a banda permanece sólido.

Ao longo de mais de cinco décadas, Ian Paice construiu uma trajetória singular. É o único baterista que passou por todas as fases do Deep Purple, atravessando mudanças constantes de formação sem jamais abandonar o posto. Após o fim temporário da banda em 1976, ele se uniu ao vocalista David Coverdale para fundar o Whitesnake, outro nome central do hard rock britânico.

Durante períodos em que o Deep Purple esteve inativo, Paice também colaborou com artistas como Gary Moore e, em 1999, gravou um álbum e realizou alguns shows com Paul McCartney, durante uma pausa nas turnês.

Em 2016, o baterista sofreu um pequeno derrame, que o afastou temporariamente de apresentações na Suécia e na Dinamarca — a primeira vez que um problema de saúde o impediu de subir ao palco com o Deep Purple. No mesmo ano, ele e seus companheiros de banda foram introduzidos no Rock And Roll Hall Of Fame, consolidando oficialmente um legado já reconhecido pelo público há décadas.

O novo álbum com James Paice surge, portanto, não como um desvio de rota, mas como mais um capítulo de uma carreira marcada por continuidade, curiosidade musical e disposição para seguir criando — mesmo depois de tudo o que já foi feito.

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