GUILHERME ARANTES lança “Interdimensional” e revisita a própria essência criativa
Novo álbum chega às plataformas em janeiro e marca 50 anos de carreira solo do compositor
Redação - SOM DE FITA
1/16/2026




Guilherme Arantes disponibiliza no dia 15 de janeiro seu novo álbum, Interdimensional, um trabalho que dialoga diretamente com a própria trajetória artística do músico e com diferentes momentos da música brasileira. O disco chega às plataformas digitais e também ganha edições físicas em CD e vinil duplo, inserindo-se oficialmente nas comemorações de 50 anos da carreira solo do artista, iniciada em 1976 com o álbum Guilherme Arantes.
Apesar de ser formado majoritariamente por canções inéditas, Interdimensional não soa como um disco de ruptura ou de reposicionamento mercadológico. Pelo contrário: trata-se de um álbum que olha para trás e para frente ao mesmo tempo, resgatando procedimentos estéticos, harmônicos e narrativos que sempre fizeram parte da obra do compositor, mas que agora reaparecem sob um novo ponto de vista. Parte desse movimento vem do gesto de revisitar músicas escritas originalmente para outros intérpretes, incorporando-as ao próprio repertório.
Canções escritas para outros ganham nova leitura
Um dos fios condutores do álbum está justamente nesse deslocamento de perspectiva. Ao longo de sua carreira, Guilherme Arantes construiu uma relação próxima com intérpretes que ajudaram a ampliar o alcance e a leitura de suas composições. Em Interdimensional, esse processo se materializa de forma clara com a inclusão de faixas como “Puro Sangue (Libelo do Perdão)”, escrita para Gal Costa e lançada no álbum A Pele do Futuro (2018), último trabalho de inéditas da cantora.
Além dela, o disco traz versões do autor para canções feitas para Alaíde Costa (“Berceuse”), Boca Livre (“Toda Felicidade”) e Claudette Soares (“O Prazer de Viver para Mim É Você”). Ao reinterpretar essas músicas com sua própria voz e arranjos renovados, Guilherme acaba revelando facetas menos evidentes de sua escrita, como se o exercício de compor para o outro tivesse aberto novas possibilidades de leitura de si mesmo.
Essa abordagem não surge como um artifício nostálgico. Ela funciona mais como um comentário sobre o próprio ofício do compositor e sobre a permeabilidade de sua obra, que sempre transitou entre o popular, o sofisticado e o experimental sem se fixar em um único território.



Capa e contracapa do disco INTERDIMENSIONAL, de Guilherme Arantes. | Foto: Divulgação

Um disco fora da lógica do algoritmo
Outro aspecto central de Interdimensional está na recusa consciente às regras atuais do mercado digital. Segundo o próprio compositor, uma das premissas do álbum foi preservar a duração natural das faixas, sem adequá-las a padrões impostos por algoritmos ou formatos de consumo acelerado. “O tempo das canções não deveria nunca mais obedecer aos ditames do algoritmo ou de qualquer padrão”, afirmou Guilherme em conversa durante o processo de gravação.
Essa escolha se reflete em faixas que se desenvolvem com calma, explorando mudanças harmônicas, texturas instrumentais e climas narrativos pouco comuns na produção pop contemporânea. Canções como “Minúcias” e “Intergaláctica Missão” ultrapassam facilmente a marca dos cinco minutos, assumindo uma estrutura mais próxima do rock progressivo e da canção de câmara do que do pop radiofônico.
Musicalmente, o disco estabelece diálogos explícitos com tradições diversas: da harmonia brasileira associada a nomes como Tom Jobim à herança do rock setentista, passando por ecos do cinema e da música erudita europeia. Essa mistura, que já estava presente no álbum de estreia do artista, reaparece aqui com maturidade e consciência histórica.
Produção, músicos e encerramento de um ciclo
Gravado no novo estúdio de Guilherme Arantes em Ávila, na Espanha, Interdimensional também marca o reencontro do compositor com seu piano Steinway e com um método de trabalho mais artesanal. O álbum conta com um time extenso de músicos, incluindo Alexandre Blanc, Luiz Sérgio Carlini, Gabriel Martini, Willy Verdaguer e Milton Pellegrin, além de participações pontuais de nomes como Teco Cardoso, Mônica Salmaso e Jacques Morelenbaum, responsável pelos arranjos de cordas de parte do repertório.
A faixa instrumental “50-Anos Luz”, que encerra o disco, funciona como uma espécie de síntese simbólica do projeto, conectando o presente ao início da carreira e reforçando a ideia de circularidade que atravessa todo o álbum. Sem buscar atualizações artificiais ou concessões fáceis, Guilherme Arantes entrega um trabalho que reafirma sua identidade artística e sua relação profunda com a canção brasileira.
Interdimensional não se apresenta como um disco “para o seu tempo”, mas como um álbum que atravessa tempos diferentes, mantendo vivo um modo de fazer música que privilegia melodia, harmonia e escuta atenta — valores que, mesmo fora de moda, seguem encontrando espaço.
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