Ex-guitarrista do KISS compara novo álbum a clássicos do rock e impõe condição polêmica para lançamento
Vinnie Vincent afirma que disco só chega ao público se single de alto valor tiver boa resposta dos fãs
Redação - SOM DE FITA
1/9/2026




Depois de anos longe do centro das atenções, Vinnie Vincent voltou a provocar debates intensos no universo do rock ao anunciar seu retorno discográfico em moldes nada convencionais. O ex-guitarrista do KISS, conhecido tanto por sua técnica virtuosa quanto por uma trajetória marcada por conflitos e afastamentos, decidiu condicionar o lançamento de um novo álbum completo ao desempenho comercial de um single vendido por um valor considerado elevado até mesmo para padrões de colecionadores.
A estratégia, que envolve a venda da faixa “Ride the Serpent” exclusivamente em CD por um preço que pode chegar a 300 dólares com taxas, reacendeu discussões sobre mercado musical, expectativas artísticas e o papel da nostalgia na indústria do rock. Ao mesmo tempo, declarações do próprio Vincent elevaram ainda mais a temperatura do debate ao comparar seu novo trabalho a discos históricos de alguns dos maiores nomes da música popular do século 20.
Um single caro, exclusivo e apresentado como obra de arte
O ponto de partida da controvérsia é a decisão de Vinnie Vincent de lançar “Ride the Serpent” apenas em formato físico, diretamente por seu site oficial. O preço-base anunciado é de 200 dólares, mas custos adicionais podem fazer o valor final se aproximar dos 300 dólares por um CD que contém apenas uma faixa.
Segundo o próprio músico, trata-se de uma escolha consciente e alinhada à forma como ele enxerga a música que produziu. Em resposta às críticas recebidas nas redes sociais, Vincent afirmou que o single não deve ser encarado como um produto comum, mas como algo mais próximo de um item artístico de luxo. Ele chegou a definir a faixa como “caviar” e como uma “obra de arte refinada”, destacando que se trata de uma “performance intensa de guitarra de quase oito minutos”.
A matemática feita por fãs e críticos rapidamente viralizou: considerando a duração da música, cada minuto custaria em torno de 40 dólares. Para alguns admiradores mais fiéis, o valor se justifica pela raridade do lançamento e pelo histórico do guitarrista. Para outros, a iniciativa soa desconectada da realidade atual do consumo musical, especialmente em um cenário dominado por plataformas de streaming e acesso instantâneo.
Ainda assim, Vincent manteve o discurso firme, argumentando que não vê problema em cobrar caro por aquilo que considera um trabalho excepcional e que, segundo ele, exigiu dedicação, tempo e excelência técnica.



Vincent diz que o single não é um produto comum, mas uma “obra de arte refinada”, comparada a “caviar”, com quase oito minutos de guitarra intensa — Foto: Divulgação

Comparações grandiosas e a promessa de um clássico
A polêmica ganhou uma nova dimensão quando Vinnie Vincent decidiu comentar publicamente o conteúdo de seu próximo álbum, intitulado “Guitarmageddon”. Em declarações repercutidas pela imprensa internacional, o guitarrista afirmou que o disco é “um dos maiores discos de rock de todos os tempos”, colocando-o no mesmo patamar de obras assinadas por Led Zeppelin, Jimi Hendrix e The Beatles.
A comparação, naturalmente, soou exagerada para muitos ouvintes, considerando o peso histórico e cultural desses artistas. Discos do Led Zeppelin redefiniram o hard rock nos anos 1970, Hendrix revolucionou a forma de tocar guitarra elétrica, e os Beatles transformaram completamente a música pop e o conceito de banda. Colocar um trabalho inédito, ainda não ouvido pelo público em geral, ao lado desses marcos inevitavelmente desperta ceticismo.
Por outro lado, há quem veja nas falas de Vincent menos uma tentativa de provocação gratuita e mais uma demonstração de confiança extrema em sua própria criação. Ao longo da carreira, o guitarrista sempre cultivou uma imagem de perfeccionismo e de forte apego à própria visão artística, ainda que isso tenha resultado em conflitos profissionais e períodos de afastamento do mercado.
Mesmo assim, a ausência de qualquer material disponível em plataformas digitais torna impossível, por ora, avaliar se o entusiasmo do músico encontra respaldo sonoro à altura de suas declarações.
Lançamento condicionado às vendas e o risco do engavetamento
O aspecto mais controverso da história talvez seja a condição imposta por Vinnie Vincent para que “Guitarmageddon” veja a luz do dia. De forma direta, ele afirmou que, caso o single “Ride the Serpent” não tenha boa saída, o álbum completo será simplesmente engavetado.
Segundo o guitarrista, a decisão não é um gesto de chantagem emocional com os fãs, mas uma forma de testar se existe, de fato, interesse real em sua música dentro dos termos que ele considera justos. Vincent afirmou que só quer ser “justamente remunerado” pelo que enxerga como sua obra-prima, deixando claro que não pretende se adequar às dinâmicas atuais de consumo se isso significar desvalorizar seu trabalho.
Essa postura dividiu opiniões. Parte do público entende que artistas veteranos, especialmente aqueles que passaram por grandes bandas, têm o direito de estabelecer suas próprias regras e buscar modelos alternativos de monetização. Outros argumentam que condicionar o acesso à música a preços tão elevados cria uma barreira artificial entre o artista e seus ouvintes, além de limitar o alcance cultural do material.
No contexto atual, em que até artistas consagrados disputam atenção em meio a um volume massivo de lançamentos, a estratégia de Vincent se destaca justamente por ir na contramão das tendências. Resta saber se essa abordagem resultará em sucesso comercial suficiente para destravar o lançamento do álbum ou se acabará reforçando a imagem de um músico talentoso, porém isolado, apostando alto em um público cada vez mais restrito.
Independentemente do desfecho, o episódio recoloca Vinnie Vincent no centro das discussões sobre valor artístico, legado e expectativas no rock contemporâneo. Se “Guitarmageddon” cumprirá ou não a promessa de figurar entre os grandes discos da história, isso permanece, por enquanto, como uma questão em aberto — e cara.
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