ESKRÖTA consolida trajetória em 2025 e amplia presença na música pesada brasileira

Reconhecimento crítico, circulação internacional e maior visibilidade colocam o trio em novo patamar artístico e profissional

Redação - SOM DE FITA

12/24/2025

A trajetória da Eskröta em 2025 pode ser descrita como um período de consolidação. Após anos de atuação consistente no circuito underground, o power trio formado por Yasmin Amaral (vocal e guitarra), Tamyris Leopoldo (baixo e backing vocals) e Jhon França (bateria) viveu um ano marcado por reconhecimento crítico, expansão de público e amadurecimento artístico. O lançamento de um novo álbum, a presença em grandes festivais, prêmios relevantes e uma turnê internacional ajudaram a reposicionar a banda dentro do cenário da música pesada brasileira, indicando um alcance que já ultrapassa as fronteiras tradicionais do metal.

Sem recorrer a rupturas abruptas de identidade, a Eskröta apresentou em 2025 um trabalho que dialoga com sua trajetória, mas também aponta para escolhas mais estratégicas e conscientes. O resultado foi um ano que não apenas reafirmou a força da banda dentro do gênero, como também ampliou sua circulação em espaços antes pouco acessíveis a sons extremos.

Reconhecimento crítico e a ampliação do alcance do metal extremo

Um dos marcos mais simbólicos do ano foi a recepção crítica do álbum Blasfêmea, lançado em abril de 2025. O disco foi eleito Melhor Álbum de Metal do Ano pelo concurso do Tenho Mais Discos Que Amigos, um reconhecimento relevante dentro da imprensa musical independente brasileira. Poucos dias depois, veio outro indicativo de que o trabalho havia alcançado um público mais amplo: Blasfêmea passou a integrar o Top 20 Melhores Discos Brasileiros de 2025 do ranking da UOL.

A presença da Eskröta nessa lista chamou atenção não apenas pela qualidade do disco, mas pelo contexto em que ele aparece. Em meio a nomes ligados ao pop, ao rap, à música experimental e a sonoridades regionais, o trio surgiu como a única representante de um som extremo, com raízes evidentes no metal, no hardcore e no uso de vocais guturais. O dado evidencia um movimento ainda pouco comum no Brasil: a assimilação de bandas de metal pesado por públicos que tradicionalmente não consomem esse tipo de linguagem sonora.

Esse processo, segundo a própria banda, não aconteceu de forma isolada. Ele se conecta diretamente à visibilidade conquistada nos últimos anos, especialmente após apresentações em festivais de grande porte. “Desde que tocamos no Rock in Rio e, principalmente, no Knotfest, mais pessoas começaram a nos acompanhar. Parte da mídia, das gravadoras e de gente do mercado também passou a prestar mais atenção”, afirmou Yasmin Amaral em declaração mantida pela banda.

Crédito: Renato Amaral

Blasfêmea: expectativas, escolhas e identidade artística

O aumento da visibilidade trouxe também um novo nível de expectativa em torno do trabalho seguinte da Eskröta. Blasfêmea foi concebido em um contexto diferente dos lançamentos anteriores, com maior atenção da imprensa e do público, o que naturalmente elevou a pressão sobre o processo criativo. Ainda assim, o álbum não representa uma diluição do discurso ou da sonoridade do trio, mas sim uma organização mais clara de suas ideias estéticas e temáticas.

O disco se estrutura como um trabalho intenso e direto, que articula crítica social, referências simbólicas e elementos do cotidiano contemporâneo. Ao transitar entre o místico e o político, Blasfêmea constrói um discurso que dialoga tanto com o universo do metal quanto com debates mais amplos da sociedade brasileira. “Quando tocamos nesses festivais, a gente já tinha o próximo disco em mente, mas a pressão de entregar algo surpreendente foi maior, porque as pessoas estavam esperando alguma coisa de nós”, explicou Yasmin.

Entre as decisões que ajudaram a ampliar o alcance do álbum está o contrato com a Deckdisc, selo com histórico consolidado na música brasileira. Além disso, o trabalho contou com colaborações que expandiram o diálogo estético da banda, como a participação da MC Taya e a presença da percussão do Cordel do Fogo Encantado. Essas escolhas não descaracterizam o som da Eskröta, mas evidenciam uma abertura a novas camadas rítmicas e narrativas.

A estratégia de divulgação também teve papel importante. A banda apostou em uma sequência consistente de lançamentos audiovisuais, fortalecendo a identidade visual do projeto e ampliando sua circulação nas plataformas digitais. O resultado foi um disco que conseguiu dialogar com públicos distintos sem abrir mão de sua proposta estética original.

Turnê europeia e evolução no palco

Outro ponto decisivo de 2025 foi a primeira turnê europeia da Eskröta. Realizada entre junho e julho, a circulação internacional levou a banda a oito países diferentes, com 14 apresentações em um intervalo de 18 dias. Alemanha, Bélgica, Inglaterra, Escócia, Irlanda, País de Gales, Irlanda do Norte e Sérvia fizeram parte do roteiro, marcando um passo importante na internacionalização do projeto.

A experiência não se limitou à ampliação de público fora do Brasil. Segundo a banda, a turnê também funcionou como um laboratório para o aprimoramento do show ao vivo. “Houve um investimento maior no show, em elementos visuais e na construção de uma experiência mais completa nessa turnê”, relatou Yasmin. “Foi uma soma de fatores que fez com que a mídia fosse obrigada a falar da gente.”

Essa evolução no palco reflete um entendimento mais claro do papel do espetáculo ao vivo na trajetória da banda. A Eskröta passou a tratar o show não apenas como execução musical, mas como uma experiência integrada, em que som, imagem e presença cênica dialogam de forma mais consciente.

Ao encerrar 2025 com esse conjunto de realizações, a Eskröta chega a 2026 posicionada como um dos nomes centrais da música pesada brasileira contemporânea. Sem recorrer a discursos triunfalistas, o ano deixa claro que o trio atravessa um momento de maturidade, no qual reconhecimento, estratégia e identidade artística caminham lado a lado.

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