Documentário de turnê do DEPECHE MODE chega à Netflix em janeiro de 2026

Filme “Depeche Mode: M” registra apresentações da turnê Memento Mori no México e explora a relação entre música, memória e mortalidade

Redação - SOM DE FITA

12/22/2025

A Netflix confirmou para janeiro de 2026 a estreia de “Depeche Mode: M”, documentário-concerto em longa-metragem que acompanha a banda britânica durante a turnê mundial Memento Mori. Após uma exibição limitada nos cinemas no fim de outubro e o lançamento físico no início de dezembro, o filme passa agora a integrar o catálogo da plataforma de streaming nos Estados Unidos a partir do dia 9 de janeiro de 2026.

O registro vai além de um simples show filmado. Dirigido pelo cineasta mexicano Fernando Frías, vencedor de prêmios internacionais, o projeto combina performance ao vivo, observação cultural e reflexão sobre temas que atravessam tanto a obra recente do grupo quanto sua história: finitude, luto, permanência artística e a relação profunda entre música e público. A produção tem distribuição inicial da Trafalgar Releasing, em parceria com a Anonymous Entertainment e a Sony Music Vision.

Um registro da turnê Memento Mori no México

“Depeche Mode: M” foi gravado durante três noites consecutivas de shows esgotados no Foro Sol, na Cidade do México, em 2023. Ao todo, mais de 200 mil pessoas assistiram às apresentações que servem de base para o filme. O local, um dos maiores palcos ao ar livre da América Latina, funciona também como elemento narrativo da obra, reforçando a dimensão coletiva e ritualística dos concertos.

Ao longo do documentário, são apresentadas 18 músicas que atravessam diferentes fases da carreira do Depeche Mode. Clássicos como “Personal Jesus” e “Enjoy the Silence” aparecem ao lado de faixas mais recentes, conectadas diretamente ao álbum Memento Mori, lançado em 2023. A seleção musical ajuda a contextualizar a longevidade da banda e a forma como seu repertório continua dialogando com diferentes gerações de fãs.

O álbum e a turnê carregam um peso emocional específico: ambos foram profundamente influenciados pela morte de Andy Fletcher, integrante fundador do grupo, falecido em 2022. Embora o filme não se proponha a ser um documentário biográfico tradicional, a ausência de Fletcher é sentida de maneira constante, funcionando como pano de fundo simbólico para o tom contemplativo da obra.

“Depeche Mode: M” foi registrado em três noites de shows esgotados no Foro Sol, no México, reunindo mais de 200 mil pessoas e reforçando o caráter coletivo dos concertos — Foto: Reprodução

Música, cultura e tradição mexicana como eixo narrativo

A sinopse oficial descreve o filme como uma celebração da influência global da banda, mas também como uma investigação sensível da relação entre música, mortalidade e tradição mexicana. Segundo o texto, “DEPECHE MODE: M celebra a influência global da banda ao mesmo tempo em que se aprofunda na conexão profunda entre música, mortalidade e tradição mexicana — um ponto de encontro sagrado onde dor, memória, alegria e dança se dissolvem umas nas outras, se confundindo em algo profundamente e belamente humano.”

Essa abordagem é reforçada pela escolha do diretor. Fernando Frías ganhou reconhecimento internacional com o filme Já Não Estou Aqui, no qual explorou identidade, juventude e deslocamento cultural no México contemporâneo. Em “Depeche Mode: M”, ele aplica um olhar semelhante, buscando captar não apenas a performance no palco, mas também a energia do público, os rituais coletivos e os elementos culturais que cercam os shows na Cidade do México.

O resultado é um filme que intercala imagens do espetáculo com momentos de contemplação, planos longos da plateia e uma atenção especial às expressões individuais dos fãs. A música do Depeche Mode surge, assim, como elo entre experiências pessoais e coletivas, reforçando a ideia de que os concertos funcionam como espaços de catarse, memória e celebração da vida, mesmo quando atravessados pelo tema da morte.

A visão de Dave Gahan e a estreia no streaming

O vocalista Dave Gahan comentou publicamente sobre a proposta do filme e o trabalho do diretor. Em declaração oficial, ele afirmou: “Em sua essência, nosso novo filme ‘M’ fala sobre a conexão profunda entre música, cultura e pessoas — e Fernando Frías… fez um trabalho lindo ao contar essa história através da lente da cultura mexicana e dos nossos shows na Cidade do México.”

A chegada de “Depeche Mode: M” à Netflix faz parte de uma estratégia mais ampla da plataforma de investir em documentários musicais e registros de grandes turnês. O lançamento acontece poucos dias após a estreia de Rebecca, documentário focado na cantora Becky G, programado para o réveillon, marcando mais um passo da empresa na consolidação desse tipo de conteúdo dentro do catálogo de SVOD (vídeo sob demanda por assinatura).

Em janeiro, o filme dividirá espaço com outras produções de peso no serviço, incluindo adaptações de ficção e longas de gêneros variados. Entre os títulos previstos para o mesmo período estão a comédia romântica People We Meet on Vacation, além de The Rip, Stone Cold Fox, The Threesome e Bone Lake, todos com lançamento confirmado nos Estados Unidos ao longo do mês.

Embora, até o momento, a Netflix tenha anunciado oficialmente apenas a estreia no catálogo norte-americano, é comum que produções desse porte cheguem a outros territórios posteriormente. Para fãs do Depeche Mode, especialmente aqueles que não puderam assistir às exibições nos cinemas, o lançamento representa a oportunidade de revisitar a turnê Memento Mori sob uma perspectiva mais cinematográfica e reflexiva.

“Depeche Mode: M” se soma a uma longa tradição de registros audiovisuais da banda, mas se diferencia ao assumir um tom menos celebratório e mais introspectivo. Em vez de apenas documentar uma série de shows, o filme propõe uma reflexão sobre tempo, ausência e permanência — temas que, de diferentes formas, sempre estiveram presentes na obra do grupo. Com estreia marcada para 9 de janeiro de 2026 na Netflix, o documentário promete dialogar tanto com fãs antigos quanto com um público mais amplo interessado em música, cultura e memória.

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