“CAZUZA EXAGERADO” chega a São Paulo com exposição imersiva sobre vida e obra do artista

Mostra propõe uma viagem sensorial e cronológica pela trajetória de Cazuza, reunindo memórias pessoais, música, imagens e recriações de momentos emblemáticos

Redação - SOM DE FITA

12/30/2025

São Paulo recebe a exposição “Cazuza Exagerado”, uma experiência que se propõe a revisitar a vida e a obra de Cazuza por meio de um percurso que combina narrativa cronológica, ambientes imersivos e materiais históricos. A proposta da mostra é conduzir o visitante por diferentes fases da trajetória do artista, desde a infância até o legado cultural que permanece vivo décadas após sua morte, apostando em uma abordagem sensorial que dialoga com música, imagem, memória e contexto histórico.

Instalada no Shopping Eldorado, a exposição é indicada para todas as idades e foi concebida para ser acessível a pessoas com deficiência, reforçando o caráter inclusivo da iniciativa. Com duração aproximada de 60 minutos, a visita busca não apenas apresentar fatos conhecidos da carreira de Cazuza, mas também revelar aspectos menos óbvios de sua personalidade, processo criativo e relações pessoais, a partir de documentos, objetos originais e depoimentos.

Da infância ao início da carreira: memórias, formação e o nascimento do artista

O percurso expositivo tem início na infância e juventude de Cazuza, período fundamental para compreender o artista antes da projeção nacional. Logo nas primeiras salas, o visitante entra em contato com registros familiares, fotografias, objetos pessoais e lembranças preservadas por Lucinha Araújo, mãe do cantor. Esses materiais ajudam a contextualizar o ambiente em que Cazuza cresceu, suas influências iniciais e os primeiros sinais de uma personalidade intensa, inquieta e criativa.

A mostra avança então para o início da carreira musical, abordando a entrada de Cazuza no Barão Vermelho e sua inserção na efervescente cena musical do Rio de Janeiro no final dos anos 1970 e início dos anos 1980. Uma das salas recria o clima do Circo Voador, espaço simbólico da cultura alternativa carioca, que funcionou como ponto de encontro de artistas, músicos e público jovem em busca de novas linguagens.

Essa parte da exposição contextualiza o surgimento de Cazuza como letrista e intérprete em um momento de transformação cultural no Brasil, marcado pela abertura política, pelo fortalecimento do rock nacional e pela busca por novas formas de expressão. O visitante é convidado a perceber como o ambiente urbano, as amizades e o espírito da época influenciaram diretamente sua produção artística.

A exposição aborda o início de Cazuza no Barão Vermelho e recria o clima do Circo Voador, símbolo da cena alternativa carioca dos anos 1980 — Foto: Reprodução

Carreira solo, processo criativo e experiências imersivas

A fase solo de Cazuza ocupa um espaço central na exposição. Ambientes dedicados aos álbuns apresentam estações de áudio onde o público pode ouvir músicas, além de manuscritos originais, máquinas de escrever e objetos que faziam parte do cotidiano criativo do artista. Esses elementos ajudam a revelar o processo de composição, marcado por intensidade emocional, observação crítica da realidade e uma escrita direta, muitas vezes confessional.

Ao longo do percurso, a exposição aposta em salas imersivas para ampliar a experiência do visitante. Uma delas recria o programa do Chacrinha, colocando o público como parte da plateia e evocando a atmosfera da televisão brasileira dos anos 1980, período em que Cazuza se tornou uma figura recorrente e controversa. Outra sala aposta em um ambiente sensorial, com projeções de imagens, frases e trechos de músicas espalhados pelo espaço, criando uma experiência que dialoga com a poética do artista.

A mostra também apresenta a chamada “Caravana do Delírio”, um espaço que retrata Cazuza em movimento pela cidade, cercado por amigos, artistas e encontros marcantes. Essa parte enfatiza a vida social intensa do cantor, suas parcerias criativas e a forma como sua vivência urbana se refletia diretamente nas letras e atitudes públicas. A exposição não busca idealizar esse período, mas contextualizá-lo como parte de uma trajetória complexa e multifacetada.

Últimos shows, memória e legado cultural

Na reta final, o visitante é conduzido a uma recriação do camarim do último show de Cazuza, seguida por um ambiente que remete ao palco do Canecão, local associado à despedida do artista dos grandes palcos. Esse trecho da exposição tem um tom mais contemplativo, convidando à reflexão sobre os últimos anos de carreira e o impacto emocional desse período tanto para o público quanto para o próprio cantor.

Após essa passagem, a mostra se volta à memória e ao legado de Cazuza. Depoimentos, relatos e histórias ajudam a demonstrar como sua obra continua presente na música brasileira, influenciando novas gerações de artistas e mantendo relevância em debates culturais, sociais e políticos. A exposição reforça a ideia de que Cazuza permanece vivo não apenas por meio de suas canções, mas também pela forma como suas letras continuam dialogando com o presente.

Mais do que uma retrospectiva, “Cazuza Exagerado” se apresenta como um convite à escuta atenta e à observação crítica de uma trajetória que extrapola o rótulo de ícone do rock nacional. Ao reunir documentos históricos, ambientes reconstruídos e experiências sensoriais, a mostra oferece ao público a oportunidade de revisitar — ou conhecer pela primeira vez — a complexidade de um artista que marcou profundamente a cultura brasileira.

Serviço

A exposição funciona de segunda a sábado, das 10h às 21h15 (última sessão), com fechamento às 22h. Domingos e feriados, das 14h às 19h15 (última sessão), com fechamento às 20h. A visita tem duração aproximada de 60 minutos, acontece no Shopping Eldorado, em São Paulo, é indicada para todas as idades e conta com estrutura acessível para pessoas com deficiência (PCDs).

Ingressos à venda em: https://cazuzaexposicao.com.br/

LEIA TAMBÉM: