BRIAN MAY destaca originalidade de TONY IOMMI e afirma que o som do BLACK SABBATH era sem precedentes

Guitarrista do Queen comenta em documentário a linguagem própria criada por Tony Iommi e o impacto duradouro do Black Sabbath na história do rock pesado

Redação - SOM DE FITA

1/21/2026

A influência do Black Sabbath na música pesada é amplamente reconhecida hoje, mas nem sempre foi assim. Em participação no documentário Tony Iommi: The Godfather of Heavy Metal, Volume One, disponível no canal da Gibson TV no YouTube, Brian May refletiu sobre a originalidade de Tony Iommi e destacou como o som criado pelo guitarrista britânico não encontrava paralelos claros no rock de sua época. Segundo May, embora seja difícil afirmar que algo seja totalmente inédito na música, o que Iommi desenvolveu com o Black Sabbath fugia de qualquer referência óbvia.

O comentário chama atenção não apenas pela admiração explícita, mas também por partir de um músico conhecido por sua própria identidade sonora forte e singular. Brian May construiu uma linguagem única à frente do Queen, mas reconhece que a revolução proposta por Iommi aconteceu em outro eixo: menos melódico, mais sombrio e centrado no peso. Essa abordagem acabou moldando um caminho completamente novo para o rock pesado e serviu de base para inúmeros desdobramentos nas décadas seguintes.

A construção de um som que não soava como ninguém

No documentário, Brian May observa que Tony Iommi conseguiu reunir diversos elementos em uma identidade coesa, algo raro mesmo entre músicos inovadores. Para ele, o foco nas cordas graves, o uso intenso de sustain e a exploração de intervalos simples, porém contundentes, foram decisivos para criar uma assinatura imediatamente reconhecível. “Ele meio que reuniu todo o espectro do que você poderia fazer com as cordas graves de uma guitarra em um único pacote”, afirmou May.

Esse conjunto de escolhas técnicas e estéticas resultou em riffs que soavam mais densos e ameaçadores do que qualquer coisa produzida até então no rock britânico. Diferente do blues elétrico tradicional ou do hard rock emergente, o som do Black Sabbath não buscava virtuosismo excessivo nem velocidade. A força vinha da repetição hipnótica, do timbre carregado e da sensação constante de tensão.

Brian May contextualiza essa transformação ao mencionar outros guitarristas fundamentais da época, como Jimmy Page e Jeff Beck, ambos responsáveis por expandir as possibilidades da guitarra elétrica. Ainda assim, ele ressalta que Iommi seguiu por um caminho próprio, criando algo mais profundo e pesado, que não parecia dialogar diretamente com o que seus contemporâneos estavam fazendo.

O Black Sabbath e a dificuldade de reconhecimento inicial

Outro ponto levantado por Brian May diz respeito ao tempo que o Black Sabbath levou para ser reconhecido como verdadeiramente original. Segundo ele, durante anos a banda foi vista apenas como uma variação mais pesada do rock existente, sem o devido crédito por sua inovação estrutural. “As pessoas demoraram muito tempo para admitir que o Black Sabbath era totalmente original”, afirmou o guitarrista do Queen.

Essa resistência inicial pode ser explicada pelo choque que o som da banda causou no início dos anos 1970. As letras sombrias, os climas opressivos e a estética quase anticomercial contrastavam com o otimismo psicodélico e o virtuosismo progressivo que dominavam parte da cena britânica. O Black Sabbath parecia deslocado, e justamente por isso acabou inaugurando um território novo.

Com o passar do tempo, no entanto, ficou claro que aquela abordagem não era um desvio passageiro, mas sim a fundação de um gênero inteiro. O heavy metal, em suas mais variadas vertentes, bebe diretamente da linguagem criada por Tony Iommi, seja nos riffs baseados em quintas, seja na valorização do peso como elemento central da composição.

Reconhecimento entre arquitetos da guitarra

A fala de Brian May ganha ainda mais peso por vir de um músico que também é referência absoluta na história da guitarra. Seu reconhecimento público reforça a ideia de que a inovação de Tony Iommi não se limitou ao público do metal, mas atravessou fronteiras estilísticas e foi compreendida por artistas de diferentes vertentes do rock.

Ao destacar que o som do Black Sabbath não soava como ninguém antes, May aponta para algo além da técnica: uma mudança de mentalidade. Iommi não apenas tocava diferente, mas pensava a guitarra de outra forma, priorizando impacto, atmosfera e identidade. Esse olhar ajudou a redefinir o papel do instrumento dentro de uma banda de rock pesado.

Décadas depois, o legado permanece evidente. O reconhecimento tardio mencionado por Brian May hoje se transforma em consenso histórico: Tony Iommi é um dos grandes arquitetos da música pesada, e o Black Sabbath, uma força criativa que alterou definitivamente os rumos do rock.

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