AVATAR: FRONTIERS OF PANDORA prova que paciência virou virtude na era dos jogos AAA

Com expansão From the Ashes e novo modo em terceira pessoa, game amadurece e ganha fôlego longe do lançamento

Redação - SOM DE FITA

1/9/2026

Lançado discretamente no fim de 2023, Avatar: Frontiers of Pandora passou longe do status de fenômeno imediato. Em meio a um calendário congestionado por grandes títulos e com um preço de estreia pouco convidativo, o jogo da Massive Entertainment acabou ficando à margem do debate, inclusive entre fãs do universo criado por James Cameron. Naquele momento, a aposta exclusiva em câmera em primeira pessoa também dividiu opiniões e afastou parte do público que esperava uma experiência mais contemplativa em Pandora.

Dois anos depois, o cenário é outro. Em janeiro de 2025, o jogo retorna ao radar com a expansão From the Ashes e, principalmente, com a adição de um modo em terceira pessoa para toda a campanha. A atualização não apenas refresca a experiência como reforça uma sensação cada vez mais comum na indústria: nem sempre jogar no lançamento é a melhor escolha. Em alguns casos, esperar significa jogar um produto mais completo, ajustado e financeiramente mais acessível.

Ao revisitar Frontiers of Pandora agora, a impressão é clara: trata-se de um título que se beneficia do tempo. O que antes parecia uma experiência promissora, mas limitada, hoje se apresenta como um pacote mais maduro, que finalmente entrega parte do potencial sugerido desde o anúncio.

Um novo olhar para Pandora com o modo em terceira pessoa

A principal mudança trazida pela atualização é a possibilidade de jogar todo o conteúdo — incluindo a campanha base — em terceira pessoa. Pode parecer um detalhe técnico, mas, na prática, essa decisão transforma profundamente a relação do jogador com o mundo de Pandora. A leitura dos cenários melhora, a noção de escala ganha força e a direção de arte passa a ser valorizada de forma mais evidente.

Explorar florestas bioluminescentes, escalar formações rochosas ou cruzar o mapa montado em um ikran se torna mais fluido e cinematográfico. A sensação de movimento é ampliada, especialmente durante voos longos, planadas e quedas livres, momentos em que o jogo finalmente permite que o jogador simplesmente aprecie o ambiente. Em terceira pessoa, Pandora deixa de ser apenas um cenário e passa a se comportar como um espaço vivo, com identidade própria.

Há também um impacto direto no combate. A visualização dos inimigos, a leitura das animações e o posicionamento em confrontos corpo a corpo ficam mais claros, tornando a ação menos confusa do que na perspectiva original. Ainda assim, é impossível ignorar que o jogo não foi concebido desde o início para essa câmera. Algumas animações soam rígidas, e o protagonista, com mais de dois metros de altura, por vezes se movimenta de forma pouco natural.

Certas interações, como a natação, ainda forçam o retorno à primeira pessoa, quebrando a imersão e denunciando limitações técnicas. São ajustes que não comprometem a experiência como um todo, mas deixam claro que há espaço para refinamento em atualizações futuras.

From the Ashes amplia o universo além do cinema

Se o novo modo de câmera já justificaria uma revisita, a expansão From the Ashes funciona como um complemento narrativo relevante. O conteúdo mergulha em temas que os filmes apenas tangenciam e oferece uma perspectiva mais sombria do conflito em Pandora, especialmente para quem saiu do cinema curioso após Avatar: Fogo e Cinzas.

A expansão coloca o jogador no controle de So’lek, um guerreiro Na’vi marcado por perdas e pela violência. Após acordar em meio a um cenário devastado, ele se vê forçado a lidar com a destruição de seu lar, a dispersão do povo Sarentu e a ameaça crescente da RDA em aliança com o clã das Cinzas. A narrativa aposta em um tom mais pesado, com foco em vingança, culpa e sobrevivência.

Um dos pontos altos está na ambientação. A Floresta Kinglor, antes vibrante, surge carbonizada, tomada por estruturas metálicas e cicatrizes ambientais que reforçam o impacto da ocupação humana. Diferente do cinema, onde essas consequências aparecem de forma mais simbólica, o jogo escancara a devastação e permite ao jogador vivenciá-la de perto.

Em termos de jogabilidade, From the Ashes traz melhorias perceptíveis. O combate corpo a corpo ganha novos movimentos e finalizações mais agressivas, a progressão é mais ágil e os confrontos contra chefes apresentam melhor construção. Há novos inimigos, ajustes no sistema de voo e batalhas aéreas mais dinâmicas, que exigem maior atenção do jogador.

O ponto fraco fica por conta da ausência de personagens-chave do filme. Apesar das conexões narrativas, figuras importantes não aparecem de forma direta, o que limita o potencial de integração entre mídia interativa e cinema. Ainda assim, o conteúdo cumpre bem o papel de expandir o universo e oferecer cerca de 20 horas adicionais de jogo.

O valor da espera em tempos de lançamentos apressados

A versão atual de Avatar: Frontiers of Pandora deixa evidente como o tempo pode trabalhar a favor de certos jogos. Em 2023, o título já era competente, mas carregava limitações claras. Em 2025, com mais conteúdo, ajustes de jogabilidade e novas opções de câmera, a experiência é significativamente mais sólida.

O fator preço também pesa. No lançamento, o jogo chegou ao mercado brasileiro custando R$ 329,90 no PS5. Hoje, o título base pode ser encontrado por valores próximos a R$ 100, enquanto edições que incluem From the Ashes giram em torno de R$ 200. A diferença de custo transforma completamente a relação custo-benefício.

Há ainda a alternativa de acesso via Ubisoft+ Premium no PC, assinatura mensal que permite experimentar o jogo completo sem investimento alto. Para quem busca explorar Pandora com calma ou aproveitar períodos de férias, a opção se mostra prática e econômica.

No fim das contas, Avatar: Frontiers of Pandora se torna um exemplo claro de como muitos jogos AAA envelhecem melhor fora da janela de lançamento. Com menos pressão, mais ajustes e um pacote mais robusto, a experiência se aproxima daquilo que prometia desde o início. Mesmo reduzida às cinzas em certos momentos, Pandora nunca pareceu tão viva quanto agora.

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