ALICE COOPER revisita o incidente da galinha e desmonta uma das lendas mais persistentes do rock
Músico detalha episódio ocorrido em 1968 no Canadá e explica como o caos virou mito definitivo do shock rock
Redação - SOM DE FITA
1/21/2026




Quase seis décadas depois, Alice Cooper voltou a comentar um dos episódios mais comentados — e distorcidos — de sua trajetória: o famoso incidente da galinha no palco, ocorrido em 1968, no Canadá. Transformado ao longo dos anos em lenda urbana do rock, o caso ajudou a consolidar a imagem transgressora do artista, mas, segundo ele, a história real é bem menos calculada do que o imaginário popular costuma repetir.
Em entrevista recente, Cooper fez questão de esclarecer os fatos, explicando como um momento de completo improviso acabou se tornando combustível para manchetes exageradas e rumores que atravessaram gerações. A narrativa de que ele teria matado uma galinha em cena e bebido seu sangue, segundo o músico, não passa de um mito criado a partir do caos e amplificado pela imprensa da época.
Um festival caótico, uma galinha inesperada e uma decisão equivocada
O episódio aconteceu durante um festival em Toronto, quando a banda de Alice Cooper ainda era relativamente desconhecida e dividia o palco com nomes já consagrados, como The Doors. No meio da apresentação, uma galinha surgiu misteriosamente no palco, sem que o músico tivesse qualquer ideia de como o animal foi parar ali.
“Eu não trouxe uma galinha!”, relembrou Cooper, destacando o tom de perplexidade ao perceber a situação absurda. Sem saber exatamente o que fazer, ele tomou uma decisão que parecia lógica naquele instante: arremessou a galinha em direção à plateia, acreditando que o animal abriria as asas e sairia voando.
A expectativa, no entanto, estava completamente errada. A galinha caiu no meio do público e, em poucos segundos, o ambiente se transformou em um cenário de descontrole. Segundo Cooper, a plateia entrou em um frenesi inesperado, atacando o animal e arremessando-o de volta ao palco. O resultado foi um caos absoluto que, no dia seguinte, ganharia contornos muito mais sombrios nas manchetes.



Alice Cooper arremessa uma galinha ao público em 1969; depois, ironizou: “Sou de Detroit. Não sei nada de galinhas.” — Foto: Reprodução

Manchetes sensacionalistas e a reação de Lennon e Zappa
No dia seguinte ao show, jornais estampavam versões dramáticas do ocorrido, afirmando que Alice Cooper havia matado a galinha no palco e bebido seu sangue diante do público. A história, apesar de falsa, se espalhou rapidamente e passou a definir a reputação do músico como um dos artistas mais extremos do rock.
O episódio foi assistido de perto por John Lennon, que estava nos bastidores aguardando sua vez de subir ao palco. Segundo Cooper, Lennon acompanhou tudo “gritando de excitação”, encarando o caos como mais um capítulo imprevisível da contracultura daquele período.
Pouco tempo depois, outro personagem fundamental do rock entrou em cena. Frank Zappa telefonou para Cooper para saber o que realmente havia acontecido. Ao ouvir que o músico não tinha matado a galinha de forma intencional, Zappa teria dado um conselho direto e pragmático: não desmentir a história. “Todo mundo adorou!”, teria dito, segundo o próprio Cooper.
A partir daí, o mito ganhou vida própria. A ausência de um desmentido formal, somada ao clima sensacionalista da época, fez com que a versão exagerada se tornasse praticamente oficial no imaginário do rock.
O mito que ajudou a moldar o shock rock
Ao revisitar o episódio, Alice Cooper reforça que nunca matou a galinha deliberadamente, tampouco bebeu seu sangue. Para ele, o mais curioso é o ponto de partida da história: até hoje, ninguém sabe quem levou o animal ao show. “As pessoas levam carteira, ingresso e chave do carro para um concerto, mas não uma galinha”, brincou.
Apesar do desconforto inicial, o músico reconhece que o incidente acabou contribuindo para a construção de sua imagem artística. Em um período em que o rock buscava constantemente romper limites, o boato se encaixou perfeitamente no nascimento do chamado shock rock, ajudando a diferenciar Cooper de outros artistas da cena.
Com o passar dos anos, a história deixou de ser apenas um rumor macabro e passou a funcionar como símbolo de uma era em que o exagero, a provocação e a confusão entre fato e ficção eram parte essencial do espetáculo. Ao esclarecer os acontecimentos, Alice Cooper não apenas desmonta um mito, mas também oferece um retrato fiel de como lendas do rock podem surgir de situações caóticas, decisões impulsivas e, principalmente, de uma boa dose de sensacionalismo.
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