ADRIAN SMITH relembra audição para o DEF LEPPARD no início dos anos 1990
Guitarrista do Iron Maiden conta como participou do processo após a morte de Steve Clark e explica por que a parceria não avançou
Redação - SOM DE FITA
12/26/2025




A história do rock é cheia de encontros improváveis, testes silenciosos e caminhos que quase se cruzaram. Um desses episódios voltou à tona recentemente com um relato direto e sem romantização de Adrian Smith, guitarrista do Iron Maiden, ao comentar uma audição que fez para o Def Leppard no início da década de 1990. O convite aconteceu pouco depois da morte de Steve Clark, figura central da banda inglesa, falecido em janeiro de 1991 em decorrência de uma overdose.
Em entrevista ao site espanhol MetalJournal.net, Smith confirmou que passou alguns dias em Los Angeles tocando com integrantes do Def Leppard. A experiência, segundo ele, foi positiva musicalmente, mas acabou não evoluindo para algo definitivo. “Valeu a pena tentar”, resumiu o músico, com a franqueza de quem entende que nem toda boa ideia se transforma em parceria duradoura.
Um convite informal em meio a um momento delicado
Adrian Smith contou que o contato partiu de Phil Collen, guitarrista do Def Leppard, em conjunto com o fotógrafo Ross Halfin, amigo em comum do meio musical. “Sim, eu tentei. Fui para Los Angeles por alguns dias. O Phil me ligou — ele e o Ross Halfin — e perguntaram: ‘Você teria interesse em vir pra cá?’. Eu disse ‘sim’”, relembrou Smith.
Durante a estadia, o guitarrista tocou com Collen, passou por algumas músicas do repertório e avaliou o clima da banda. “Sentei com o Phil. Passamos por algumas músicas. Soou bem, soou bem. E eles são um grande grupo de caras”, disse. Ainda assim, a tentativa acabou não indo adiante. “Mas não deu certo. Além disso, o álbum da minha banda PSYCHO MOTEL estava prestes a sair, então eu estava meio que… você sabe. Mas quem sabe? Valeu a pena tentar. Eles se saíram bem sem mim.”
O comentário revela dois pontos importantes: o momento profissional de Smith e o estado emocional do Def Leppard. Em 1991, o guitarrista havia deixado o Iron Maiden durante o período de gravação de No Prayer For The Dying e buscava novos rumos criativos. Ao mesmo tempo, o Def Leppard ainda lidava com a perda recente de Steve Clark, o que tornava qualquer decisão mais sensível do que um simples teste técnico.



O processo seletivo segundo Phil Collen e Rick Allen
A confirmação pública de que Adrian Smith esteve entre os candidatos veio anos depois. Em junho de 2023, Phil Collen afirmou que tanto Smith quanto John Sykes, ex-Whitesnake e Thin Lizzy, participaram das audições. No fim, a vaga ficou com Vivian Campbell, também com passagem pelo Whitesnake.
Falando ao site Eonmusic durante uma coletiva antes do Hellfest 2023, Collen explicou que o processo foi deliberadamente restrito. “Convidamos cinco pessoas que conhecíamos, cinco amigos”, contou. Segundo ele, Vivian se encaixou de forma imediata: “Foi como se fosse pra ser”. Ainda assim, Collen fez questão de elogiar Smith: “O Adrian é ótimo — ele é um grande cantor. Isso era outra coisa que estávamos procurando, alguém que pudesse cantar”.
O guitarrista do Def Leppard destacou que o critério não era apenas técnica ou currículo. “Estávamos tocando músicas do Def Leppard — não estávamos tocando Iron Maiden, não estávamos tocando Dio. Então, quem entrasse precisava tocar pelas mesmas regras”, explicou. A observação ajuda a entender por que músicos consagrados, com estilos bem definidos, nem sempre se adaptam a outra identidade sonora.
A decisão final, segundo Collen, passou também por uma questão humana. “Não fizemos audições abertas, porque ainda era doloroso depois de perder o Steve. Queríamos alguém que emocionalmente funcionasse com a gente como um membro da família. E o Viv fez isso desde o primeiro momento. Foi simplesmente maravilhoso.”
O baterista Rick Allen reforçou essa visão em entrevista de 2021. Ele citou outros nomes considerados, como um guitarrista pouco conhecido de Birmingham, além de Sykes. Ainda assim, destacou Smith como alguém que chamou atenção pela capacidade de adaptação. “Eu adorei a ideia. É interessante — você coloca alguém numa situação um pouco diferente e coisas novas aparecem. Foi legal. Foi um elogio o quanto ele se dedicou a isso”, afirmou Allen. Apesar disso, concluiu: “Mas acho que, no fim, o Vivian foi a escolha absolutamente perfeita.”
Caminhos que quase se cruzaram — e seguiram adiante
Anos depois, o próprio Adrian Smith voltou ao tema com humor. Em entrevista de 2020 ao Eonmusic, durante a divulgação de sua autobiografia Monsters Of River & Rock, ele confirmou que esteve realmente na disputa. “Eu estive, sim. Não tenho certeza… quero escrever mais livros; talvez isso esteja no próximo”, brincou, antes de acrescentar: “Tem toda uma história sobre isso”.
Vivian Campbell, por sua vez, detalhou como acabou ficando com a vaga em entrevista concedida um ano após entrar no Def Leppard. Ele contou que já conhecia Joe Elliott, vocalista da banda, e que o convite surgiu de forma gradual. Segundo Campbell, o “teste” foi menos musical do que pessoal. “A maior parte da minha ‘audição’ foi eles me fazendo perguntas, mais do que eu tocando guitarra. Foi mais um teste de personalidade do que para ver se o cara sabia tocar ou cantar”, explicou.
Esse conjunto de relatos ajuda a desmontar a ideia de que grandes bandas escolhem integrantes apenas pelo virtuosismo. No caso do Def Leppard, pesaram fatores emocionais, convivência e identidade sonora, especialmente em um período de reconstrução interna. Para Adrian Smith, a experiência ficou como um episódio curioso de transição, entre a saída temporária do Iron Maiden e projetos paralelos que exploravam outros caminhos criativos.
Três décadas depois, o episódio segue sendo lembrado não como uma frustração, mas como um daqueles cruzamentos possíveis que fazem parte da trajetória de músicos veteranos. Smith resume tudo sem drama: foi uma tentativa legítima, em um contexto específico, que simplesmente não se concretizou. E, como ele mesmo observou, o Def Leppard “se saiu bem” com a escolha que fez.
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